Procurador diz que parlamentares podem agir para encobrir seus crimes

Procurador diz que parlamentares podem agir para encobrir seus crimes

Força-tarefa da Lava Jato alerta que R$ 10 milhões que teriam sido pagos a ex-presidente do PSDB para esvaziar CPI da Petrobrás em 2009 ‘não foi prática isolada’

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

07 de setembro de 2016 | 05h15

Deltan Dallagnol. Foto: Reuters

Deltan Dallagnol. Foto: Reuters

A força-tarefa da Operação Lava Jato sustenta que a propina de R$ 10 milhões para barrar a CPI da Petrobrás, em 2009, ao então senador Sérgio Guerra (presidente do PSDB – morto em 2014) e ao deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE) ‘não foi prática isolada’.

Nesta terça-feira, 6, os procuradores da República denunciaram Ildefonso Colares Filho, ex-executivo do grupo Queiroz Galvão, e Erton Medeiros, empresário ligado à Galvão Engenharia, pelo crime de corrupção ativa – eles ofereceram, segundo a acusação do Ministério Público Federal, R$ 10 milhões em propina aos parlamentares.

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Esta é a segunda denúncia da Lava Jato que atinge as Comissões Parlamentares de Inquérito que foram instaladas com o objetivo de apurar desvios em contratos da Petrobrás.

Em 6 de maio deste ano a Procuradoria denunciou o ex-senador Gim Argello e outros investigados que teriam acertado o pagamento de propina para barrar as investigações de CPIs da Petrobrás em 2014.

Nesta época, a fase ostensiva da Lava Jato já havia sido deflagrada.

Os procuradores sustentam que, mesmo com a Lava Jato em curso, Gim Argello agiu com o objetivo de obstruir os trabalhos das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) instauradas no Senado e na Câmara, ‘as quais tinham também por objetivo investigar crimes praticados no âmbito da Petrobrás’.

“Com mais esta denúncia, as investigações da Lava Jato indicam que o pagamento de vantagem indevida para impedir ou atrapalhar os trabalhos de CPIs não foi uma prática isolada”, afirma a Procuradoria da República.

Para o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, a provas do pagamento de propinas a parlamentares para barrar CPIs da Petrobrás, em 2009 e em 2014, ‘são perturbadoras’.

“Não só porque a casa foi assaltada e o guardião subornado para garantir a impunidade. Não só porque isso aconteceu na mais alta esfera da República. Isso perturba especialmente porque se os parlamentares agiram para barrar a investigação de crimes praticados por terceiros, há uma perspectiva de que poderão agir para barrar a investigação dos crimes que eles próprios praticaram. Na medida em que o número de parlamentares investigados aumenta, nossa preocupação cresce. A sociedade precisa ficar atenta, porque reações contra a Lava Jato já começaram e se fortalecerão, tanto mediante campanhas difamatórias como por meio de iniciativas legislativas”, aponta Deltan.

O PSDB afirma que nunca recebeu valores ilícitos.
O deputado Eduardo da Fonte nega taxativamente envolvimento com a trama para abafar a CPI da Petrobrás em 2009.

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