Procurador diz que Beto Richa enviou emissário para coagir testemunha

Procurador diz que Beto Richa enviou emissário para coagir testemunha

Ao pedir o restabelecimento da prisão do ex-governador (PSDB), o sub-procurador-geral da República Hindenburgo Chateaubriand Filho relatou uma suposta tentativa de intimidação do corretor imobiliário que intermediou compras de propriedades em dinheiro vivo por Dirceu Pupo Ferreira, homem forte do tucano

Luiz Vassallo

10 de fevereiro de 2019 | 05h00

Imagens da câmera de segurança que flagraram Dirceu Pupo

Ao pedir o restabelecimento da prisão do ex-governador Beto Richa (PSDB), o sub-procurador-geral da República Hindenburgo Chateaubriand Filho relatou uma suposta tentativa de coação de uma testemunha por Dirceu Pupo Ferreira, homem forte do tucano. Ele chegou a ser flagrado por câmeras de um hotel comparecendo a um encontro com o corretor de imóveis que intermediou compras em espécie do ex-governador.

O tucano havia sido preso no dia 25 de janeiro, pela segunda vez, no âmbito da Operação Integração II, desdobramento da Lava Jato. No entanto, foi solto na quinta-feira, 31, por decisão do ministro do STJJoão Otávio de Noronha. A força-tarefa da Lava Jato chegou a apontar ‘sérias dúvidas’ sobre a parcialidade do magistrado.

O subprocurador-geral Hindenburgo Chateaubriand Filho cita suposta tentativa de coação de testemunhas e alega supressão de instância por parte do ministro do STJ, Otávio de Noronha, que mandou soltar o tucano. Chateaubriand avalia que a supressão de instância teria ocorrido porque a prisão preventiva não havia sequer sido analisada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) antes da decisão do ministro do STJ.

O subprocurador-geral ainda afirma que a prisão de Richa se justifica já que  surgiu a ‘informação de que teria agido para influenciar e coagir testemunhas, com a participação de Dirceu Pupo Ferreira, contador e pessoa de sua confiança’.

“Demais disso, há, sim, evidências de que o responsável direto pela abordagem das testemunhas agiu a mando do agravado, com quem possuía evidente liame (apresentou-se como representante da pessoa jurídica envolvida com as aquisições, pertencente a membros da família do agravado, que, por sua vez, exerceria o poder decisório de fato sobre as negociações)”, sustenta.

Segundo o procurador, as ‘três aquisições imobiliárias objeto das investigações, foi Dirceu Pupo Ferreira o responsável pela entrega do numerário dos valores em espécie aos destinatários’.  “Ademais, ambos não apresentaram nenhum esclarecimento sobre a origem dos R$ 2,7 milhões em espécie empregados na compra de imóveis nos Municípios de Curitiba e Balneário Camboriú”.

Reprodução de relatório de quebra de sigilo telefônico

Chateaubriand ainda aponta que ainda, ’em 08/08/2018, às 10h48min, há registro de filmagens das câmeras de segurança do edifício Curitiba Trade Center, localizado na Rua Carlos de Carvalho, 417, Centro de Curitiba, demonstrando a entrada de Dirceu Pupo Ferreira no local, o encontro com a testemunha Carlos Alberto Albertini, que trabalhava no local, e a permanência até às 13h38min’.

De acordo com a PGR, um relatório de quebra de sigilo telefônico ainda dá conta de que ‘há também elementos indicativos do encontro de Dirceu Pupo Ferreira com Richa, na tarde daquele mesmo dia’.

“No dia 08/08/2018 foram identificadas chamadas em terminais dos alvos no intervalo de 11 minutos, captadas em ERBs localizadas em locais próximos ou no mesmo local. Inicialmente, o terminal de Carlos Alberto Richa foi captado em ERB localizado na Rua Mateus Leme, 1284, às 15h46m, e em seguida em outros dois registros de chamadas captados pela ERBs localizada na Rua Heraclides Cezar de Araujo, SN, a mesma onde 7 minutos depois (15h57m) o terminal de Dirceu Pupo Ferreira, foi captado pela ERB”, revela o relatório.

“Não seria, de resto, razoável acreditar-se que Dirceu Pupo Ferreira viesse a abordar testemunha, corretor de imóveis envolvido com transação imobiliária, em tese, espúria, por iniciativa isolada, sem a determinação ou a anuência de Beto Richa”, afirma o procurador.

COM A PALAVRA, BETO RICHA

A defesa não vai se manifestar.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO GUSTAVO ALBERINE PEREIRA, QUE DEFENDE DIRCEU PUPO

Dirceu Pupo Ferreira, por intermédio de sua Defesa, esclarece que jamais coagiu ou buscou atrapalhar as investigações conduzidas no âmbito da denominada Operação Lava-Jato ou de qualquer outra autoridade.

Ao contrário, sempre esteve presente quando chamado, prestando todas as explicações que lhe foram pedidas, tanto assim que a defesa já havia protocolado petição, em data pretérita à deflagração da recente operação que o prendeu, na qual esclareceu todos os fatos.

Importante destacar que os fatos que ensejaram a sua prisão não são novos e contrariam diretamente decisão proferida pelo ilustre Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

Ademais, o suposto encontro ocorreu há mais de 06 meses e já foi objeto de avaliação por parte do poder judiciário. O próprio Ministério Público, quando interpôs recurso contra decisão proferida pelo Excel. Ministro Gilmar Mendes, na reclamação 32.081, debate em profundidade o tema.

Em vez de aguardar o julgamento do recurso, perante o Supremo Tribunal Federal, o MPF optou por requentar o tema e submetê-lo à deliberação do Juízo da 23ª Vara Federal de Curitiba.

Assim sendo, a prisão preventiva decretada revela-se absolutamente desnecessária e ilegal.

A defesa confia no Poder Judiciário e espera que a prisão preventiva seja brevemente revogada.

Curitiba, 08 de fevereiro de 2019.
Gustavo Alberine Pereira
OAB/PR 54.908

 

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