Procurador diz que aumentou multa para delator de Eduardo Cunha

Procurador diz que aumentou multa para delator de Eduardo Cunha

Rodrigo Janot, sabatinado no Senado, informou que sanção foi aplicada a Júlio Camargo por omitir inicialmente propina de US$ 5 milhões que teria sido exigida pelo presidente da Câmara

Redação

26 de agosto de 2015 | 20h34

Janot durante sabatina. Foto: André Dusek/Estadão

Janot durante sabatina. Foto: André Dusek/Estadão

Por Talita Fernandes, Beatriz Bulla, Ricardo Brito e Julia Affonso

O procurador-geral da República Rodrigo Janot disse nesta quarta-feira, 26, que o delator Júlio Camargo , que acusa o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), de pressioná-lo por uma propina de US$ 5 milhões em 2011, teve ampliada a multa prevista no acordo de colaboração premiada. Pelo acordo, firmado em outubro de 2014, Júlio Camargo se comprometeu a pagar R$ 40 milhões de multa por danos causados à Petrobrás no esquema de cartel e corrupção que se instalou na estatal petrolífera entre 2004 e 2014.

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Durante a sabatina no Senado, iniciada às 10 hs desta quarta, Janot foi questionado pelo senador Humberto Costa (PT/PE) sobre o fato de Júlio Camargo, inicialmente, não ter feito qualquer menção ao presidente da Câmara. “(Júlio Camargo) disse que não havia, depois foi a público para dizer foi assim, me pediu assim, eu dei assim, pá pá pá pá. O que acontece com esse colaborador que omitiu uma informação relevante num primeiro momento e, num segundo momento, lembrou, teve uma lembrança daquele fato ocorrido?”

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O procurador-geral disse que a multa para o delator, por sua omissão, foi ampliada. Não revelou, porém, o montante. “Houve um agravamento pela omissão desse colaborador, um agravamento da pena de multa, elevada em razão da omissão. Não teve nenhuma outra consequência porque nos convencemos que ele, realmente, encontra-se em estado de ameaça. Ele não falou porque tinha receio de sua própria vida. Isso ficou claro.”

Janot informou os senadores que, ‘em breve’, vai disponibilizar o áudio e o vídeo da audiência de Júlio Camargo na Procuradoria-Geral da República em que ele, delator, faz a retificação. “A espontaneidade (de Júlio Camargo) é visível quando comenta ‘temo pela minha vida, sou um sujeito temente e só voltei agora porque a investigação chegou a um ponto em que a minha omissão está clara, continuo temendo pela minha vida’.”

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