Procurador destaca encontro de Lula e Duque confirmado a Moro

Maurício Gerum considerou elemento relevante confirmação de ex-presidente de reunião com ex-diretor da Petrobrás em aeroporto, intermediado por João Vaccari, para pedir aumento de pena de ex-presidente para TRF-4 no caso triplex

Julia Affonso, Fausto Macedo, Luiz Vassalo e Ricardo Brandt, Julia Lindner e Renan Truffi, enviados especiais a Porto Alegre

24 Janeiro 2018 | 10h09

Foto: Reprodução da transmissão ao vivo pelo canal de Youtube do TRF-4

O procurador regional da República da 4.ª Região Maurício Gotardo Gerum destacou durante sua sustentação oral em julgamento do ex-presidente Lula no Tribunal da Lava Jato, o que considerou “elemento indiciário relevante” de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava ciente e se beneficiava da corrupção na Petrobrás: a narrativa do encontro que teve com o ex-diretor da Petrobrás Renato Duque para falar sobre conta secreta no exterior.

“Elemento indiciário relevante a indicar a perfeita ciência que Luiz Inácio possuía em relação aos valores escusos que seu partido recebia, e que, em relação aos fatos deste processo, também acabaram lhe beneficiando, foi o encontro com Renato Duque, intermediado por João Vaccari Neto, e sobre o qual Luiz Inácio, em seu interrogatório, afirma que ‘eu sei que foi num hangar lá em Congonhas'”.

Lula disse em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, que condenou Lula a 9 anos e 6 meses de prisão, em 12 de julho de 2017, Lula disse: “a pergunta que eu fiz para o Duque foi simples ‘Tem matéria nos jornais, tem denúncias de que você tem dinheiro no exterior, de ficar pegando da Petrobrás e botando no exterior, você tem conta no exterior?’, ele falou ‘Não tenho’, eu falei ‘Acabou’, se não tem. Não mentiu para mim, mentiu para ele mesmo”.

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Para Gerum, que abriu as exposições da parte durante o histórico julgamento de Lula em segunda instância nessa quarta-feira, 24, o encontro de Lula e da falecida Dona Marisa Letícia em 2014 O triplex do Guarujá, em 2014, “como bem pontuado pelo Ministério Público (da primeira instância) em suas alegações finais” prova a ligação do ex-presidente com o imóvel e as reformas realizadas nele em benefícios do petista.

“Esse encontro, quatro anos após o término do mandato, não possui outra explicação
senão a perfeita consciência e, acrescente-se, controle, de Luiz Inácio do esquema que
veio lhe beneficiar.”

Documento

As declarações foram feitas durante a sessão da 8.ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que julga recurso de Lula contra a sentença do juiz federal Sérgio Moro no caso triplex, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e constam no parecer entregue ao tribunal. Ao lado de fora do Tribunal, nas ruas de Porto Alegre e outras capitais do país, manifestantes a favor e contra o ex-presidente aguardam o resultado da sessão.

Em manifesta crítica aos apoiadores de Lula, que dizem não haver provas para condenar o ex-presidente, Gerum afirmou que ‘por um cacoete de uma vida que que já se acostumou as baixezas e vilanias que povoam o nosso caquético mundo político, patrocinou-se um movimento que procurou contaminar o processo judicial com essa falta de maturidade democrática’.

Inconformado com a pena de 9 anos e 6 meses de prisão imposta pelo juiz federal Sérgio Moro, o ex-presidente recorreu ao Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, a Corte de apelação da Lava Jato. Ele nega ser dono do imóvel do Guarujá, que é visto pelo magistrado, em sentença de julho de 2017, como propina de R$ 2,2 milhões da empreiteira OAS.

No início da sessão desta quarta-feira, 24, o presidente da 8.ª Turma do TRF-4, Victor Laus, concedeu questão de ordem à defesa do ex-presidente para que sua fala fosse a última entre os advogados.