Procurador da Lava Jato diz que proposta de Moro ‘não é movida por vaidade pessoal ou por interesses políticos’

Januário Paludo afirmou que decisão do magistrado de assumir o Ministério da Justiça é 'atitude patriótica, corajosa e desapegada de interesses pessoais'

Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Julia Affonso

01 Novembro 2018 | 12h12

O procurador regional da República Januário Paludo. Foto: Divulgação/PRPR

O procurador regional da República Januário Paludo, integrante da força-tarefa da Operação Lava Jato, em Curitiba, afirmou nesta quinta-feira, 1, acreditar que a proposta do juiz federal Sérgio Moro que aceitou o convite para ser ministro da Justiça no governo Jair Bolsonaro (PSL), “não é movida por vaidade pessoal ou por interesses políticos”.

“A meu ver, aceitar assumir o Ministério da Justiça é uma atitude patriótica, corajosa e desapegada de interesses pessoais, típico de quem nunca mediu esforços ou sacrifício pessoal na árdua tarefa de combater a corrupção e o crime organizado neste país.”

Paludo foi um dos procuradores do escândalo do Caso Banestado, que foi espécie de laboratório da Lava Jato e tinha como juiz, Moro.

“Conheço o Juiz Moro há quase 20 anos, com quem tive a honra de atuar em duas grandes operações”, afirmou o procurador, que integra o grupo dos mais experientes membros da Lava Jato, em Curitiba. Respeitado e temido por investigados e seus defensores, ele, originariamente, atua na segunda instância, na Procuradoria Regional da República da 4.ª Região (PRR-4), e está em missão na capital paranaense desde o início da força-tarefa, em 2014.

Para ele, a proposta de Moro “é fruto de um amadurecimento de ideias e princípios ao longo da carreira judicante”.

“Ao meu ver, aceitar assumir o Ministério da Justiça é uma atitude patriótica, corajosa e desapegada de interesses pessoais, típico de quem nunca mediu esforços ou sacrifício pessoal na árdua tarefa de combater a corrupção e o crime organizado neste País.”

Lula. Paludo é o procurador que investigou o caso do sítio de Atibaia (SP), um dos dois processos penais ainda abertos em Curitiba, na 13.ª Vara Federal contra Luiz Inácio Lula da Silva – o petista está condenado a 12 anos e um mês de prisão no caso do triplex do Guarujá (SP) e preso desde o dia 7 de abril.

No próximo dia 14, o ex-presidente Lula iria ser interrogado por Moro no processo sobre o sítio de Atibaia – o petista é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro. A audiência, agora, deverá ser realizada pela substituta de Moro, a juíza Gabriela Hardt.

O ex-presidente ainda será julgado no processo de propinas da Odebrecht na compra de uma terreno para o Instituto Lula e do apartamento usado pela família do petista em São Bernardo do Campo. Nesse caso, as defesas dos réus apresentaram as alegações finais, que antecedem a sentença do juízo.

A defesa de Lula, antes mesmo do aceite de Moro, usou o convite feito por Bolsonaro para apontar a falta de “imparcialidade” do juiz para julgar o ex-presidente.

Na nota divulgada por Moro nesta quinta-feira, ele destaca que ‘a Operação Lava Jato seguirá em Curitiba com os valorosos juízes locais’.

Moro conduziu a Lava Jato desde o início da grande operação, deflagrada em sua fase ostensiva em março de 2014, levando à condenação de políticos, empreiteiros, doleiros e administradores da Petrobrás.