Procura-se um Brasil

Edson Garutti*

19 de abril de 2017 | 10h00

Procura-se um amigo.

Procura-se um Brasil. Não precisa ser colosso, basta ser digno, basta ter hombridade, basta ter cidadãos. Precisa saber educar e honrar, sobretudo saber cumprir. Tem que gostar da verdade, da transparência, dos direitos, da moral, da ética, da coisa pública e do bem comum. Deve ter instituições, um grande amor pelas instituições, ou então sentir falta de não ter as instituições de que precisa. Deve investigar os corruptos e respeitar todos que não usam da corrupção. Deve fazer reformas, mas não com pressa e sem ponderar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido explorado, pois todos os Brasis são explorados. Não é preciso que seja puro, nem que seja de todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal de justiça e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias de pátria, seu principal objetivo deve ser o de Brasil. Não deve sentir pena ao punir os criminosos, mas respeitar os seus direitos. Deve gostar do cidadão honesto e lastimar os que não pararam de corromper.

Procura-se um Brasil para que tenha pessoas politicamente participativas, que se comovam quando chamadas de povo. Que saiba que existe para as pessoas, não para os interesses, as estruturas montadas e os conchavos. Precisa-se de um Brasil para não ser esculhambado, nem apropriado; para contar histórias que motivem nossas crianças, que cuidem delas, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de menos impostos, de menos entraves burocráticos, de menos criações de dificuldades para vender facilidades, de menos “taxas de urgência”.

Precisa-se de um Brasil que mostre que vale a pena viver, não porque o território é belo, mas porque já se tem um Brasil. Precisa-se de um Brasil para se parar de chorar. Para não se viver acuado diante de tanta endêmica corrupção nem de fronteiras permeadas pelo tráfico. Que investigue, que lute e respeite a aposentadoria e que ainda tenha simples honestos, para se ter a consciência de que ainda se vive.

*Edson Garutti é delegado de Polícia Federal

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