Procuram-se poupadores do outro século

Procuram-se poupadores do outro século

Advocacia-Geral da União participa da 'busca por contato' de quem guardava cruzado, cruzado novo e cruzeiro entre os anos 1980 e 1990 e acabaram atingidos pelos planos econômicos Bresser (1987), Verão (1989) e Collor 2 (1991)

Pepita Ortega e Fausto Macedo

09 de dezembro de 2019 | 12h58

Moedas. Foto: Pixabay

Após auxiliar na construção do acordo coletivo dos planos econômicos para correção de aplicações na poupança feitas nos anos 1980 e 1990, a Advocacia-Geral da União agora se empenha para que os poupadores conheçam as condições de adesão e ‘encerrem as disputas judiciais da melhor forma possível’.

O adjunto do advogado-geral da União, Fabrício da Soller, se reuniu com representantes dos signatários do acordo e com a Ordem dos Advogados do Brasil com o intuito de solicitar contatos dos representantes jurídicos de poupadores para que a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) possa se comunicar com eles de maneira ágil.

A reunião ocorreu na quarta, 4, e foi divulgada nesta segunda, 9, pela AGU.

Era um tempo muito antes de o Real chegar à nossa economia, em 1994. No governo José Sarney (1985/1990) era cruzado e, depois, veio o cruzado novo. Na gestão Fernando Collor (1990/1992) a moeda do brasileiro era o cruzeiro.

Como os planos Bresser (1987), Verão (1989) e Collor 2 (1991), objeto do acordo, envolvem poupadores que ingressaram há décadas na Justiça, os bancos enfrentam dificuldade para fazer chegar a informação a essas pessoas.

Além disso, segundo a AGU, como o prazo de adesão se encerra em março de 2020, é importante que os advogados, poupadores ou herdeiros fiquem atentos.

“Às vezes as pessoas já faleceram ou são muito idosas, outras vezes o próprio advogado já faleceu. Há um universo que dificilmente se consegue alcançar. Mas o esforço está sendo feito”, afirmou Fabrício da Soller.

Participaram do encontro, além da Febraban e da AGU, representantes do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e do Banco Central.

O presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz, colocou a entidade à disposição para o compartilhamento dos endereços atualizados dos advogados listados nas ações.

“Vemos nessa atitude uma oportunidade de fazermos chegar essa informação do acordo aos diversos poupadores e seus advogados”, declarou Santa Cruz.

Em sua avaliação, em um universo tão grande, com ações tão antigas, ‘é possível que essa informação não tenha chegado a eles, ou não tenha chegado da forma mais correta’.

Até o momento, 95 mil poupadores aderiram ao acordo, resultado considerado positivo pelo adjunto do AGU.

O número representa R$ 1,4 bilhão já pagos aos prejudicados com os planos econômicos que acionaram a Justiça.

Soller lembra que, embora a União não seja parte das ações judiciais, a AGU teve papel protagonista na mediação e viabilização do acordo.

“Estamos muito próximos do encerramento do prazo de adesão e há todo um esforço de bancos e associações que representam os consumidores para que a gente possa viabilizar o maior número de adesões, sempre com o interesse dos poupadores”, destacou Fabrício da Soller.

“É claro que isso será uma decisão deles e de seus advogados.”

Ele assinala que os poupadores precisam se informar sobre os termos do acordo e estudar as condições.

“Entendemos que o acordo traz uma grande vantagem, que é a rapidez no recebimento desses valores. O papel da AGU tem sido de participante efetivo, não só no momento da mediação, mas também agora, durante a implementação”, explicou.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: