Procura-se jóqueis

Procura-se jóqueis

Cassio Grinberg*

18 de novembro de 2021 | 11h15

Cassio Grinberg. FOTO: DIVULGAÇÃO

Existe, na prática da Estratégia, uma sabedoria que nos ensina que é preciso estarmos atentos para montar nos cavalos das oportunidades — principalmente quando eles passam encilhados. E isso vem nos levando ao constante exercício de identificar por onde galopam esses cavalos.

Conta-se que, no século XIII da incrível Florença, o jovem Michelangelo provocou seu rival, o experiente Leonardo da Vinci, dizendo que, para conseguir terminar seu cavalo, ele deveria ter feito como fizera o próprio Michelangelo com seu David: tirasse da pedra tudo o que não era cavalo.

Fazendo uma analogia com oito séculos a mais de história, hoje é o próprio ambiente — com o 5G, o Metaverso, as plataformas e as criptomoedas, a Inteligência Artificial e a automação, a Alexa e a Siri — que se encarrega de tirar os cavalos dos bits e colocá-los com velocidade nas estradas digitais. A tecnologia virou Michelangelo, de modo que invertemos a lógica: num mundo de muitos cavalos, hoje precisamos descobrir é onde estão os jóqueis.

Um jóquei precisa ser leve, veloz e corajoso. E são justamente as empresas com essas qualidades que despontarão na disputa cabeça a cabeça. Uma empresa leve é uma empresa apenas com o tamanho necessário, sem gavetas sobrando. Uma empresa veloz é uma empresa sem medo de desaprender, trocar a escrita na pedra pelo planejamento a lápis. E uma empresa corajosa é a que quer a verdade, mesmo que a verdade signifique antecipar o final de ciclos.

Mas somente se consegue uma empresa assim se ela também for conduzida por jóqueis. E os jóqueis de hoje possuem dons complementares: são determinados e curiosos. Permeáveis e autodidatas. Possuem hard skills e soft skills. Pedem feedback e prestam atenção. Erram, mas não vivem atrás do erro. E estão chegando aí, dispostos a nos despertar para o Renascimento, principalmente porque compreendem que, a diferença entre algo que já existe e algo que ainda não existe, é a distância até onde cada jóquei está disposto a ir antes de parar de acreditar naquele cavalo.

*Cassio Grinberg, consultor de estratégia e autor do livro Desaprenda

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