‘Processos judiciais têm que ser públicos’, defende Sérgio Moro

‘Processos judiciais têm que ser públicos’, defende Sérgio Moro

Juiz da Lava Jato afirmou em palestra, em Curitiba, que sociedade 'tem o direito de escrutinar a malversação da administração pública' e de acompanhar 'o que o Judiciário faz em relação a criminalidade contra a administração pública'

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo

21 Outubro 2016 | 16h31

O juiz federal Sérgio Moro, em palestra no Tribunal de Justiça do Paraná / Foto: Divulgação/TJ-PR

O juiz federal Sérgio Moro, em palestra no Tribunal de Justiça do Paraná / Foto: Divulgação/TJ-PR

O juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, em Curitiba, defendeu, em palestra, que dar publicidade a processos que envolvem crimes na administração pública é um “mandamento constitucional” e que a sociedade tem o direito de “escrutinar” governos e os trabalhos da Justiça que envolvam crimes com dinheiro público.

“Uma vez superada a fase de investigação criminal, segredo em processo judicial envolvendo crime de corrupção contra a administração pública é uma afronta brutal à Constituição”, afirmou Moro, em palestra no Tribunal de Justiça do Paraná, nesta quinta-feira, 20.

“Processos judiciais têm que ser públicos, os julgamentos têm que ser públicos. E o segredo é uma exceção”, afirmou Moro, que é duramente atacado pelas defesas de seus réus pelo acesso dado a processos da Lava Jato.

O magistrado foi convidado para palestra sobre “Corrupção Sistêmica e Justiça Criminal” para desembargadores, juízes e funcionários da Justiça Estadual. Ele disse que a Constituição exige não só a publicidade dos processos judiciais, mas a publicidade da atuação da administração pública.

“A sociedade tem o direito de escrutinar não só a malversação da administração pública, mas também de acompanhar o que o Judiciário faz em relação a criminalidade contra a administração pública”, declarou Moro, um dia depois de prender o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Ele é acusado no processo que será julgado pelo juiz em esquema que gerou R$ 10 milhões em propinas, em contrato da Petrobrás.

“Particularmente eu não imagino nenhuma situação específica que possa justificar segredo em processo criminal envolvendo a administração pública, uma vez superada a fase de investigação.”

 

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