Privacidade de dados: Brasil ruma para a era da responsabilidade digital

Privacidade de dados: Brasil ruma para a era da responsabilidade digital

Roberto Regente Jr.*

03 de março de 2021 | 07h00

Roberto Regente Jr. FOTO: DIVULGAÇÃO

A privacidade de dados ainda é um tema delicado para o Brasil. Os dois últimos grandes vazamentos que ocorreram recentemente deixaram exposto uma falha que ocorre em diferentes empresas brasileiras: a proteção de dados no país ainda está nos primórdios. As empresas já se movimentam para adequar seus sistemas à esta realidade na internet, mas os consumidores podem, e devem, estar ainda mais atentos às informações que compartilham na web.

Atualmente, as empresas brasileiras pensam em ser socialmente responsáveis, investindo em diversidade, sustentabilidade, inclusão social, entre outros aspectos considerados chave em sua composição na sociedade atual. Agora, de olho exatamente nos consumidores mais atentos e engajados na proteção de dados, elas devem assumir o próximo passo e serem digitalmente responsáveis pelas informações dos seus clientes.

No mesmo ritmo em que muitas empresas do Brasil tiram o atraso e começam a se adequar a nova Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), é importante o momento servir de reflexão para o consumidor. A principal “lei” da internet é bem direta: qualquer informação que compartilhamos, seja em sites de compras, fóruns de discussões, comentários em portais de notícias, entre muitos outros, jamais deixará de estar na internet.

Segundo um levantamento feito por nós da OpenText, os brasileiros estão muito menos atentos à sua legislação de privacidade do que seus pares em outros países da pesquisa. Perto de 60% dos entrevistados do País admitem ter apenas “uma vaga ideia do que trata a nova lei geral de proteção de dados” e só 30% afirmam conhecê-la, efetivamente.

No passado já vimos tentativas de órgãos judiciais de eliminarem permanentemente um conteúdo na web. Porém, basta uma cópia ou falha de segurança para que dados e informações sejam eternizados nos confins da rede mundial de computadores. A solução? Evitar compartilhar informações em muitos sites e melhor se informar sobre a nova LGPD. Cobrar adequação das empresas deve se tornar uma tarefa primária dos consumidores.

Do lado das empresas, a melhor forma de evitar vazamentos e conter situações embaraçosas com a exposição de dados dos clientes é investir em estruturas e em tecnologias avançadas de segurança, principalmente, diante de um cenário onde o home office deve continuar sendo realidade de muitos colaboradores. Práticas de usuário modernas, ferramentas, uso de soluções em nuvem e trabalho remoto estão exigindo uma nova era de visibilidade em tempo real que apenas a tecnologia pode sanar.

Não há mais espaço para postergar medidas de controle de dados. A tendência global de mais regulamentação e aumento da demanda dos consumidores por privacidade de dados e segurança da informação é clara. As empresas brasileiras têm a oportunidade de investir agora nas soluções de tecnologia certas. Aqueles que o fizerem estarão em melhor posição para garantir a conformidade regulatória e demonstrar seu compromisso com a proteção dos clientes.

*Roberto Regente Jr., vice-presidente de Vendas para a América Latina da OpenText

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