‘Prisão em segunda instância ataca a sensação de impunidade dos criminosos’, diz delegado da PF

‘Prisão em segunda instância ataca a sensação de impunidade dos criminosos’, diz delegado da PF

Ricardo Hiroshi Ishida, que deflagrou nesta quarta, 23, a fase 67 da Lava Jato, avalia que 'maior prevenção é a efetiva aplicação das penas' e alerta que 'o Brasil é um País com muita dor'

Pedro Prata, Pepita Ortega e Fausto Macedo

23 de outubro de 2019 | 12h19

O delegado de Polícia Federal Ricardo Hiroshi Ishida, que atua no combate ao crime organizado, disse nesta quarta, 23, que ‘a maior prevenção que há é a efetiva aplicação das penas’. Ishida se manifestou durante coletiva de imprensa da Operação Tango & Cash, fase 67 da Lava Jato, deflagrada contra executivos do grupo Techint Engenharia e Construção por suposta ligação com o cartel de empreiteiras que se instalou na Petrobrás, entre os anos de 2004 e 2014.

A declaração do delegado Ricardo Hiroshi Ishida se dá ao mesmo tempo em que os ministros do Supremo Tribunal Federal julgam se mantêm jurisprudência de que é possível a execução da pena após condenação em segunda instância. O entendimento é considerado pilar da Operação Lava Jato.

Ricardo Hiroshi declarou. “A Lava Jato mostra que a maior prevenção que há é a efetiva aplicação das penas. E que elas sejam cumpridas tão logo sejam reexaminadas por uma instância superior. Qualquer alongamento do cumprimento da pena pode passar a percepção de que o crime compensa.”

Questionado se a fala era um recado para o Supremo, o delegado federal afirmou que sua experiência na Lava Jato lhe permite reconhecer ‘caráter pedagógico da pena’.

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“Já há condenados e os investigados em fases posteriores têm a percepção de que podem ser condenados e que irão cumprir a pena em breve.”

O delegado comparou o Brasil a um paciente ‘com muita dor’, e a Operação Lava Jato a uma tomografia que mostrou como ‘o câncer corrupção’ funciona.

Indagado sobre sua expectativa com relação a futuras investigações, disse. “Eu gostaria de mais 300, 500. Gostaria que se fizesse fila.”

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Operação Tango & Cash

O procurador da República Marcelo Ribeiro de Oliveira disse que a Operação Tango & Cash se iniciou na Suíça, que enviou a investigação e provas para o Brasil, que se comprometeu a dar prosseguimento. “A lavagem se consumou na Suíça, então ambos os países poderiam investigar. Só que o Brasil não extradita seus nacionais, então a Suíça optou por transferir a investigação para cá.”

A equipe de trabalho da operação informou que não é a primeira vez que isso ocorre na Lava Jato. “Tem uma tendência que isso aumente. A interação e cooperação entre as agências internacionais são a tônica das próximas décadas.”

Atendendo a pedido de assistência jurídica da Itália, o Ministério Público Federal brasileiro pediu e o juiz da 13.ª Vara Federal de Curitiba, Luiz Antonio Bonat, deferiu o compartilhamento de provas com Roma.

Para o procurador, a cooperação internacional é prova da ‘respeitabilidade’ da atuação brasileira nas investigações.

“Temos um mosaico de provas que somente foi possível pelo envolvimento de diversos países. Observar a transferência da investigação pela Suíça e a solicitação de auxílio pela Itália nas suas apurações reforça a respeitabilidade da atuação brasileira em matéria de cooperação jurídica internacional.”

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