Prisão de Rocha Loures não altera defesa, diz advogado de Temer

Prisão de Rocha Loures não altera defesa, diz advogado de Temer

Após a prisão de seu ex-assessor, o presidente viajou a São Paulo para conversar com o criminalista Antonio Claudio Mariz de Oliveira

Valmar Hupsel Filho

03 de junho de 2017 | 20h05

Michel Temer. Foto: Evaristo Sá/AFP

A prisão do ex-assessor da presidência, Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) não altera a estratégia de defesa do presidente Michel Temer em uma eventual denúncia da Procuradoria-Geral da República, segundo o advogado do peemedebista, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira.

“Não altera em nada”, disse Mariz ao Estado no final da tarde deste sábado, 3, logo após se reunir por cerca de duas horas com o presidente em São Paulo.

Um dos mais próximos assessores de Temer no Planalto, Rocha Loures foi preso na manhã deste sábado, em Brasília. Ele foi flagrado pela Polícia Federal carregando uma mala com R$ 500 mil em propinas pagas pela JBS.

No final da manhã, após a prisão de Rocha Loures, Temer viajou para São Paulo para conversar com seu advogado. A viagem até então não estava programada. O presidente havia retornado de São Paulo a Brasília às 23h40 desta sexta-feira, depois de se reunir com o governador Geraldo Alckmin. O retorno a São Paulo neste sábado foi classificado por sua assessoria como uma “agenda particular”.

Mariz disse que conversou com o presidente sobre a “situação processual dele, a ação que pode cassar o mandato no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as reformas e a situação política do país. “Nem falamos sobre Rocha Loures”, dise.
Sobre a possibilidade de uma denúncia ser oferecida pela PGR, Mariz disse que “é uma possibilidade que existe”.
O advogado disse acreditar que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot deve aguardar a liberação do laudo pericial que a polícia federal está fazendo na gravação que o empresário Joesley Batista fez de uma conversa com Temer antes de tomar qualquer atitude.

Eu requeri esse laudo, o Ministério público concordou e o ministro Edson Fachin deferiu o pedido. Portanto, todas as partes do processo e o juiz devem achar a gravação precária”, disse.

Na visão do advogado, se a PGR oferecer denúncia antes da liberação do laudo corre risco de apresentar uma peça “capenga”.