Prisão de Bumlai reforça suspeita de esquema sistematizado de corrupção

Investigadores Lava Jato acreditam que apurações sobre papel de amigo de Lula levarão força-tarefa à novas descobertas sobre reprodução em demais estatais de esquema alvo na Petrobrás

Andreza Matais, Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

24 Novembro 2015 | 09h51

O pecuarista José Carlos Bumlai com o ex-presidente Lula

O pecuarista José Carlos Bumlai, preso nesta terça-feira, 24, com o ex-presidente Lula

A prisão pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, como alvo central da Operação Passe Livre, 21ª fase da Lava Jato deflagrada nesta terça-feira, 24, reforçam as suspeitas da existência de um esquema sistematizado de corrupção no governo federal, a partir de 2004.

A prisão preventiva de Bumlai nesta terça tem como base as apurações de contratação pela Petrobrás para operação do navio-sonda Vitória 10000 e para negócios na área envolvendo o grupo do empresário Eike Batista com ‘concretos indícios de fraude no procedimento licitatório’.

Para os investigadores da Lava Jato, a prisão de Bumlai e as descobertas de qual era seu papel no governo federal reforçarão as suspeitas de que o esquema descoberto na Petrobrás foi reproduzido em outras estatais. Para a Lava Jato, um esquema único de compra de apoio político teria nascido na Casa Civil em 2004, com o objetivo de garantir a governabilidade e a permanência no poder. Para isso, teriam sido distribuídos cargos em diferentes áreas do governo, gerando uma máquina complexa e estruturada de desvios para financiar partidos, políticos e campanhas eleitorais.

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O empresário José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, foi detido em Brasília. O pecuarista estava na capital federal, pois prestaria depoimento à CPI do BNDES hoje. Ele estava no hotel Golden Tulip, a poucos metros do Palácio da Alvorada. Bumlai será levado para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

Segundo a PF, 140 policiais federais e 23 auditores fiscais cumprem 25 mandados de busca e apreensão, um mandado de prisão preventiva e 6 mandados de condução coercitiva – quando o investigado é levado para depor – nas cidades de São Paulo, Lins (SP), Piracicaba (SP), Rio de Janeiro, Campo Grande (MS), Dourados (MS) e Brasília.

“Segundo apurações, complexas medidas de engenharia financeira foram utilizadas pelos investigados com o objetivo de ocultar a real destinação dos valores indevidos pagos a agentes públicos e diretores da estatal”, informou a PF em nota.

Os investigados nesta fase responderão pelos crimes de fraude à licitação, falsidade ideológica, falsificação de documentos, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência e lavagem de dinheiro.

A defesa do pecuarista disse que desconhece a prisão de Bumlai. O criminalista Arnaldo Malheiros Filho, advogado do amigo de Lula, disse que Bumlai está em Brasília para depor na CPI. Malheiros disse que não foi informado sobre os motivos da prisão.

O nome da operação, Passe Livre, remete ao fato de que o pecuarista tinha livre acesso ao Palácio da Alvorada durante o governo do ex-presidente Lula.

O PT informou que, por enquanto, não vai se pronunciar