Priorização de hidrelétricas ameaça a segurança energética do Brasil

Priorização de hidrelétricas ameaça a segurança energética do Brasil

Guilherme Nagamine*

05 de março de 2021 | 03h30

Guilherme Nagamine. FOTO: DIVULGAÇÃO

Embora o Brasil possua grande potencial para produzir energia limpa por meio de Usinas Hidrelétricas – responsáveis hoje pela geração de 64% da eletricidade do país – a dependência desse tipo de matriz energética traz diversos problemas econômicos, ambientais e sociais. Apesar de se tratar de uma energia renovável, a construção de usinas hidrelétricas traz impactos ambientais severos, como a destruição da fauna, flora e do solo; extinção de espécies; alagamento de áreas e também destruição das comunidades ribeirinhas.

Hoje, o país conta com 217 usinas hidrelétricas em operação, além de 713 centrais geradoras e 425 pequenas centrais que impactam na natureza. E, além disso, o sistema hidrelétrico também tem causado um transtorno enorme no setor econômico. As contas de luz estão cada vez mais caras por conta do elevado custo do megawatt/hora, decorrente da estiagem que o Brasil está passando esse ano.

Recentemente, houve um apagão no Amapá por 22 dias, atingindo 13 dos 16 municípios do estado. Foi o maior blackout do país desde 1999, quando Brasil e Paraguai ficaram sem luz por um dia, devido a uma pane na Usina Hidrelétrica de Itaipu e o apagão que aconteceu em uma subestação de energia elétrica de Bauru (SP). Mais de 50 milhões de pessoas em dez estados brasileiros foram atingidas, além de todo Paraguai que ficou no escuro. Com o ocorrido, houve caos no trânsito, emissoras de TV ficaram fora do ar, houve arrastões e alguns hospitais ficaram sem luz.

Fica, então, cada vez mais evidente a urgência em se investir em outras matrizes energéticas. Em um país de clima tropical como o Brasil, a energia solar fotovoltaica certamente se torna uma inquestionável solução sustentável de geração de energia elétrica. Com a diversidade de matrizes, o sistema nacional de abastecimento de energia ficaria mais seguro, sem acarretar grandes prejuízos à população.

Números da Energia Solar

Números da ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica) apontam que no Brasil há 333 mil sistemas solares fotovoltaicos conectados à rede de distribuição que sustentam a economia e a sustentabilidade de mais de 415 mil unidades consumidoras. Desde 2012, a fonte solar já trouxe ao país mais de R$ 35 bilhões em novos investimentos e gerou mais de 210 mil empregos. O Brasil está entre os dez maiores investidores mundiais deste tipo de energia.

Portanto, para que haja uma verdadeira mudança e para que não aconteça mais imprevistos como os apagões, é necessário o apoio e investimento governamental. Além disso, a difusão de tecnologias Brasil afora e o desenvolvimento técnico e mercadológico do setor são fundamentais para atender a demanda crescente.

*Guilherme Nagamine, diretor executivo da L8 Energy

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