Primo de Jobim diz que pagou ex-gerente da Petrobrás ‘por cortesia’

Primo de Jobim diz que pagou ex-gerente da Petrobrás ‘por cortesia’

Atan Barbosa, apontado pelo delator Pedro Barusco (foto) como operador de propina, diz que buscava 'obter a simpatia' do ex-executivo da estatal e 'alguma facilitação por sua parte em procedimentos' da petrolífera

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

27 de junho de 2016 | 05h00

Ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

O ‘advogado/conselheiro’ Atan de Azevedo Barbosa, de 77 anos, afirmou em depoimento à Polícia Federal que fez transferências para a conta do ex-gerente executivo da Petrobrás Pedro Barusco ‘como cortesia’. Atan Barbosa, funcionário aposentado da estatal, foi citado em delação premiada como um dos operadores de propina do esquema de corrupção instalado na companhia petrolífera, entre 2004 e 2014, sob a senha ‘Tadeu’.

O advogado foi alvo de mandados de condução coercitiva e de buscas na 9.ª fase da Operação Lava Jato, batizada My Way, em fevereiro de 2015. Primo de primeiro grau do ex-ministro Nelson Jobim, que presidiu o Supremo Tribunal Federal (2004/2006), Atan de Azevedo Barbosa acabou passando uma noite na superintendência da Polícia Federal, no Rio, preso porque os policiais encontraram em sua casa munição sem que tivesse autorização para portá-las. Ele pagou fiança de R$ 25 mil e deixou a prisão no dia seguinte.

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Em 2 de junho deste ano, Atan Barbosa foi questionado pela delegada federal Renata da Silva Rodrigues, da força-tarefa da Lava Jato, sobre a conta Heatherley Business.

“Perguntado novamente sobre sua vinculação com a Heatherley Business, tendo em vista que vasto material foi apreendido em posse do declarante vinculando-o à referida conta, afirma que por ocasião de sua primeira oitiva estava confuso e que experimentava também sequelas decorrentes de um AVC; que não se lembrava da referida conta, por isso acabou afirmando que a desconhecia; que afirma que, de fato, a conta Heatherley Business pertence ao declarante desde 1973, tendo aberto ela para receber rendimentos enquanto trabalhou na Europa; que trabalhou na Europa até 1992, inclusive tendo fabricado guaraná nesse período, por meio de indústrias locais; que quando saiu da Europa, a conta passou a ter pouca movimentação, mas mantinha um saldo razoável, de cerca de US$ 2 milhões”, disse.

No dia 24 de novembro de 2014, o delator Pedro Barusco afirmou à PF que em 17 de junho de 2008 abriu uma empresa chamada Rhea Comercial INC, com sede no Panamá, sob a conta 606419. O ex-gerente da Petrobrás declarou que a conta ‘acumulou ativos até março/2014 num total de US$ 14.283.402,06’.

“Desse montante US$ 11.687.863,00 foram relativos a depósitos de propinas e o restante foram rendimentos bancários, sendo que US$ 1.977.350 foram pagas por empresas offshores de Atan Barbosa, operador”, apontou.

Barusco disse ainda que usava siglas para se referir a nomes de operadores que depositaram propinas em seu favor. “Essas siglas eram usadas contemporaneamente aos fatos para a contabilidade das propinas: ‘Tadeu é Atan Barbosa’.”

A delegada questionou Atan Barbosa por que motivo realizou transferência partindo da conta Heatherley para a conta controlada por Pedro Barusco.

“Afirma que fez tais pagamentos como uma ‘cortesia’, buscando obter a simpatia de Barusco e alguma facilitação por sua parte em procedimentos da Petrobrás; que ilustra, por exemplo, que um simples cadastro de fornecedor na Petrobrás pode ser um procedimento extremamente demorado, caso não haja um “padrinho”; que Barusco era a única pessoa que realmente conhecia na Petrobrás, já que havia saído da estatal quando o declarante entrou; que então passou a centralizar em Barusco todos esses pagamentos que buscam “ajudar” seus clientes”, declarou.

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