Primo de Aécio colocou ‘maço de dinheiro’ no bolso

Primo de Aécio colocou ‘maço de dinheiro’ no bolso

Relatório da PF descreve o passo a passo da ida de Fred à sede da JBS para buscar parte dos R$ 2 milhões acertados entre o senador tucano e o empresário Joesley Batista

Julia Affonso e Luiz Vassallo

24 de maio de 2017 | 15h39


O primo do senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi flagrado pela Polícia Federal colocando ‘maços de dinheiro’ no bolso dentro do prédio sede da JBS. Frederico Pacheco de Medeiros, o Fred, foi preso na Operação Patmos após ser filmado pegando propina de R$ 500 mil – de um total de R$ 2 milhões -, a pedido de Aécio.

PF diz que aliado de Temer entregou mala com R$ 465 mil

Documento

Em conversa gravada pelo empresário Joesley Batista, o senador e o executivo acertaram ‘o encaminhamento de R$ 2 milhões, divididos em quatro parcelas de R$ 500 mil’ ao tucano, segundo a Patmos. O parlamentar enviaria Fred, que já atuou como tesoureiro de campanha eleitoral do tucano, para pegar o dinheiro, e Joesley ‘lançaria mão de alguém de sua confiança’.

A PF seguiu Fred em ação controlada autorizada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal. Em relatório de 21 de abril, o delegado Thiago Machado Delabart detalhou o monitoramento.

Segundo o documento, o primeiro encontro ocorreu em 5 de abril de 2017, na sede da JBS, em São Paulo, ‘com a entrega dos valores realizada em sala situada nas dependências da presidência da empresa, segundo o relato de Ricardo Saud (diretor de Relações Institucionais da J&F), pessoa encarregada por Joesley Batista de passar o dinheiro às mãos de Frederico Pacheco de Medeiros’.

Saud declarou que, nesta ocasião, Fred recebeu R$ 500 mil.

Após o primeiro encontro, ‘de posse de mandado judicial’, a PF ‘mobilizou aparato técnico’ e registrou a entrega da segunda parcela de R$ 500 mil. O delegado da PF narrou que em 12 de abril uma equipe de policiais federais ficou nas dependências da JBS e viu Fred chegar ao local ‘sendo conduzido por um táxi Toyota Corolla’.

“Imagens colhidas no circuito interno de vídeo-monitoramento da JBS atestam que, ao desembarcar, Frederico dirigiu-se à entrada principal da empresa e anunciou sua presença na recepção, sendo autorizado a dirigir-se à presidência”, narra o delegado no relatório. “Chegando à recepção da presidência, cumprimentou um funcionário e permaneceu à espera de Ricardo Saud.”

‘Falta-lhe, Aécio, qualidade moral e intelectual’, diz pai do primo preso do senador

“Fui vítima de uma armação”, diz Aécio

Deltan: Se Temer cair, vão assumir outros investigados

O delegado da PF descreveu o passo a passo da ida do primo de Aécio à JBS. Ele destacou que antes da entrada de Fred na sala, ‘o numerário’ a ser entregue ao primo do tucano havia sido preparado e fotografado.

“Após, aguardar alguns instantes, foi chamado a entrar na sala em que Ricardo o aguardava”, relatou. “Em dado momento da conversa, Ricardo Saud certifica-se de que a porta da sala está fechada, momento em que Frederico apanha uma bolsa que portava para acondicionar os R$ 500 mil, tal como fizera na semana anterior, segundo informações transmitidas por Ricardo.”

O delegado da PF descreveu a cena, que foi filmada. A mala com o dinheiro vivo foi colocada sobre uma mesa para que Fred pudesse ‘transferir os valores à sua bolsa’.

“Ao abrir a mala, ambos percebem que o volume de dinheiro, formado por notas de R$ 50,00 – e não de R$ 100,00, como na ocasião anterior – era superior à capacidade da bolsa que Frederico dispunha”, narra o delegado.

Segundo o delegado, houve ‘conferência dos valores’. “Após a contagem, Frederico insere um maço de dinheiro em sua bolsa e, em seguida, guarda mais alguma quantia em seu bolso. O restante dos valores permanece na mala. Pouco após, ambos saem da sala. É Ricardo Saud quem carrega a mala com o dinheiro.”

A Polícia Federal relatou que ‘enquanto Frederico estava no interior da sede da JBS, permanecia à sua espera outra pessoa (além do motorista do táxi) posteriormente identificada como Mendherson Souza Lima, ocupante de cargo em comissão no Senado da República, vinculado ao gabinete do Senador Zezé Perrella, do PDT’. Segundo a PF, Mendherson levou a mala no táxi, e Fred voltou ao prédio da JBS com Ricardo Saud.

Tudo o que sabemos sobre:

operação Lava JatoJBSAécio Neves

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.