Primeiro civil a presidir o Superior Tribunal Militar, ministro Aldo Fagundes morre vítima de coronavírus aos 89 anos

Primeiro civil a presidir o Superior Tribunal Militar, ministro Aldo Fagundes morre vítima de coronavírus aos 89 anos

Gaúcho estava internado em hospital particular na capital federal, mas não resistiu às complicações da doença; enterro nesta segunda-feira, 7, será restrito aos familiares em razão da pandemia

Redação

07 de dezembro de 2020 | 15h32

O ministro Aldo Fagundes, ex-presidente do STM. Foto: Divulgação/Superior Tribunal Militar

O ministro aposentado do Superior Tribunal Militar (STM) Aldo da Silva Fagundes morreu na noite deste domingo, 6, em Brasília, vítima do novo coronavírus. Aos 89 anos, ele estava internado em um hospital particular na capital federal.

A assessoria do tribunal informou que o enterro, marcado para a tarde desta segunda-feira, 7, será restrito a familiares em respeito aos protocolos sanitários para conter o avanço da pandemia.

Natural de Alegrete, no Rio Grande do Sul, Fagundes chegou a ser eleito vice-prefeito da cidade natal, deputado estadual (1963-1967) e deputado federal por quatro mandatos sucessivos (1967-1983) antes da nomeação ao Superior Tribunal Militar em 1986. Além das carreiras política e na magistratura, também foi advogado e professor universitário no Centro Universitário de Brasília (UniCEUB).

No cargo como ministro, foi o primeiro civil a presidir a Corte em 2001, após ser escolhido em votação no plenário. O mandato durou apenas dois meses até a aposentadoria, em maio do mesmo ano. Antes disso, chegou a ocupar a cadeira de vice-presidente por duas vezes, nos biênios de 1989/1991 e 1997/1999.

Em nota à imprensa, o tribunal militar destacou os ‘relevantes processos apreciados’ pelo ex-ministro e suas contribuições aos ‘estudos em nome da racionalização e operacionalidade da Justiça Militar’, incluindo a Revisão Constitucional de 1993 e a implantação da Lei de Organização Judiciária Militar (Lei nº 8.457/92) e das normas de Cerimonial Interno (1989/91).

O STM também divulgou um texto escrito pela filha do ex-ministro, Ana Cecília Schlottfeldt Fagundes, em homenagem ao magistrado:

Aldo Fagundes, um Gaúcho Metodista no Cerrado

Escrever sobre o meu pai é muito fácil, é só procurar os adjetivos mais bonitos que a gente encontra no dicionário e sair enumerando. Pai parceiro, amoroso, generoso, exemplo, crente fiel, homem do bem, político correto, juiz exemplar, pai líder da família, pai que amava sua esposa, incentivava seus filhos e ensinava com seu exemplo o caminho do bem, amigo solidário nas alegrias e tristezas, professor estudioso para suas palestras e ensinos na Escola Dominical, líder político que nunca se assentou na roda dos escarnecedores e líder para todos que com ele conviviam.

Vou sempre lembrar dele em todos os momentos que puder, porque esta saudade é muito boa. Deus não podia ter escolhido um pai melhor para seus filhos.

Se alguém me perguntar, se é possível amar sua esposa e família, eu digo, pode sim, meu pai foi fiel a minha mãe por toda a sua vida.

Se alguém perguntar, se tem político honesto no nosso país, eu digo, pode sim, meu pai sempre foi honesto e sempre trabalhou muito, em todos os cargos ocupados.

Se alguém perguntar, a pessoa pode passar por dificuldades e manter a fé, pode sim, meu pai sempre manteve a esperança, a fé e o amor pela Igreja e as causas cristãs. Teve sua experiência pessoal com Deus na adolescência e nunca mais de afastou de Cristo e seus ensinamentos.

Se alguém perguntar, a pessoa pode morar longe do Rio Grande do Sul e manter as tradições até o final da vida, pode sim, os gaúchos e gaúchas sempre estavam na sua memória.

Sim, ele foi uma pessoa de família, um homem inteligente e batalhador. Combateu o bom combate e manteve a fé acima de tudo.

Foi ele que me ensinou a confiar em advogados. A figura que Jesus fará a nosso favor no juízo final.

Glória, glória os anjos cantam lá

É um Santo Coro dando glória a Deus

Por mais um remido entrar nos Céus

Obrigada meu Deus por todos estes bons anos.

Tudo o que sabemos sobre:

STM [Superior Tribunal Militar]

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.