Previdência: aprovação da reforma sinaliza caminho sem volta para investimentos no Brasil

Previdência: aprovação da reforma sinaliza caminho sem volta para investimentos no Brasil

Tiago Reis*

15 de agosto de 2019 | 11h00

Tiago Reis. FOTO: DIVULGAÇÃO

No desenrolar da votação da Reforma da Previdência, um movimento chama atenção quando analisamos o mercado financeiro. É comum lidarmos com a volatilidade à medida que as decisões vão sendo tomadas e muitos ainda se prendem a esses fatos para direcionar suas aplicações. Sempre bato na tecla de que esse não é um comportamento que considero inteligente. Mas, diante de uma questão estrutural que será alterada no País, alguns pontos eu julgo importantes de serem levantados neste momento.

Em primeiro lugar, acredito que, embora não tenha passado, até agora, a capitalização nem a inclusão dos municípios e estados, as mudanças são boas em um tema que era urgente para o País. O Brasil está numa crise fiscal, cujo principal componente são os gastos com a Previdência, que aumentam exponencialmente ano após ano. Se não fosse feita uma reforma, o cenário poderia se agravar muito, vide a expectativa de economia com a medida que beira a R$1 trilhão em dez anos.

A partir daí temos o primeiro movimento que considero importante para o mercado de investimentos brasileiro: a queda na taxa de juros. A reforma diminui o risco de crédito, o que permite ao Brasil reduzir os juros. Não é a toa que tivemos o corte da Selic a 6%, menor marca para a taxa em todos os tempos. E a expectativa é de que esse corte seja ainda maior, chegando em 5,5% ainda neste ano.

Com esse cenário, chegamos em um ponto que venho desenvolvendo há muito tempo: quem busca maiores índices de rentabilidade de investimentos terá que migrar para a renda variável e, consequentemente, assumir mais riscos. A última queda da Selic já foi um reflexo da expectativa de aprovação das mudanças na Previdência. Com uma reforma boa, é provável que os juros caiam ainda mais, impossibilitando rendimentos atrativos em títulos como Tesouro, CDBs e até mesmo na tão criticada conta poupança.

É importante lembrar também que a queda de juros também sofre influência do mercado internacional. Movimentos como uma possível guerra comercial entre Estados Unidos e China também têm impacto no cenário brasileiro como um todo.

O momento de reforma, no entanto, sinaliza para esse caminho que, mesmo não garantindo imediata melhoria da economia, se descortina para um ambiente com melhores condições para investidores e empresas. E trata-se de um caminho sem volta. Cabe a nós, então, nos adequarmos e aprendermos mais para investir com sucesso.

*Tiago Reis, CEO da casa de análise financeira Suno Research

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