Prestação de serviços de delator é convertida em doação de R$ 150 mil para SUS e 25 mil litros de álcool para Saúde de SP

Prestação de serviços de delator é convertida em doação de R$ 150 mil para SUS e 25 mil litros de álcool para Saúde de SP

Conversão da pena prevista no acordo do delator Roberto Capobianco, da Construcap (uma das construtoras do Rodoanel) foi proposta pelos procuradores da força-tarefa da Lava Jato, sendo que o aditamento do acordo já foi homologado; previsão é que as doações sejam efetivadas nos próximos dez dias

Pepita Ortega

05 de maio de 2020 | 13h41

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A pena de prestação de serviços do delator Roberto Capobianco, da Construcap, uma das construtoras do Rodoanel, será convertida na doação de R$ 150 mil para o Sistema Único de Saúde em São Paulo e em 25 mil litros de álcool 70% para a Secretaria de Saúde. A conversão da pena e a destinação dos recursos foi proposta pelos procuradores da força-tarefa da Lava Jato em SP, sendo que o aditamento do acordo já foi homologado. A previsão é que as doações sejam efetivadas nos próximos dez dias.

O álcool será entregue em duas formas: 20 mil litros líquidos e 5 mil litros em gel. O valor de mercado dos produtos, sem frete, chega a R$ 260 mil, diz o Ministério Público Federal em São Paulo.

Segundo a Procuradoria, além da conversão da prestação de serviços, foi antecipado o pagamento de multa pecuniária de R$ 600 mil também prevista no acordo inicial com o delator. Duas parcelas de R$ 150 mil serão pagas de imediato e as demais estão previstas para até 30 de maio e 30 de junho.

O acordo com o Capobianco foi homologado em abril de 2018 e serviu como base para a denúncia por corrupção e lavagem de dinheiro apresentada em março do ano passado contra Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa, e outras nove pessoas.

As informações fornecidas pelo executivo da construtora envolvem ilícitos nas obras da Estrada Parque Várzeas do Tietê, destaca o MPF.

A empresa do delator venceu a licitação, mas a análise da documentação foi paralisada. Segundo relatos feitos por Capobianco e pelo operador Adir Assad ao MPF, Paulo Vieira de Souza teria cobrado 5% dos R$ 78 milhões orçados.

Na época em que a denúncia foi oferecida, a Lava Jato em SP informou que a Construcap percebeu editais restritivos no Rodoanel e procurou Paulo Vieira, segundo o executivo, ‘porque disseram que ele mandava’. Segundo Paulo teria dito à Capobianco, a empresa não poderia mais no Rodoanel, pois o acerto já estava feito, mas que entraria em outra obra futura e assim ficou com a obra – uma compensação ambiental pela ampliação da Marginal Tietê.

A Procuradoria narrou ainda que ‘Paulo procurou Assad e disse que Capobianco devia cerca de R$ 2 mi para a campanha do PSDB, que foram pagos por meio de dois contratos falsos com a Legend no valor total de R$ 1,85 milhão’.

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