Preso por ‘gabinete paralelo’ de pastores no MEC, Milton Ribeiro deixa PF em Santos rumo a Brasília

Preso por ‘gabinete paralelo’ de pastores no MEC, Milton Ribeiro deixa PF em Santos rumo a Brasília

Alexandre Fernandes, especial para o Estado

22 de junho de 2022 | 15h27

Ministro da Educação, Milton Ribeiro. FOTO: GABRIELA BILO/ESTADÃO

O ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, deixou a delegacia da Polícia Federal, em Santos, no início da tarde desta quarta-feira, dia 22. Ele foi preso pela manhã por suposto envolvimento de liberação de verbas do MEC para municípios que negociavam com os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura.

A PF montou um esquema para que Ribeiro deixasse a delegacia longe dos olhos da imprensa. Perto das 13h30, um carro Honda HRV entrou na garagem, na Rua XV de Novembro, e saiu cerca de dois minutos depois com a mala do ex-ministro. Enquanto isso, ele deixou o prédio pela entrada do serviço de expedição de passaportes, em um carro preto descaracterizado, provavelmente de escolta.

Milton Ribeiro seguiu direto para Brasília, conforme determinação da Justiça Federal. A defesa havia pedido que o ex-ministro não fosse transferido, mas a solicitação foi negada pelo juiz Renato Borelli, da 15ª Vara Federal.

A defesa do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, alvo de mandado de prisão nesta quarta-feira, 22, na Operação Acesso Pago, classificou a ordem de preventiva contra o aliado do presidente Jair Bolsonaro como ‘injusta, desmotivada e indiscutivelmente desnecessária’.

O advogado Daniel Bialski, que defende o aliado do presidente Jair Bolsonaro, informou ainda que  já pediu acessos aos autos da investigação, que corre sob sigilo, para entrar com habeas corpus para tentar derrubar decreto de custódia preventiva. A defesa busca o ‘reconhecimento da coação ilegal imposta’, argumentando que os fatos que motivaram a prisão ‘são pretéritos e sem contemporaneidade’.

A prisão de Ribeiro, preventiva – sem data para acabar – foi determinada pelo juiz Renato Borelli, da 15ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, no âmbito da investigação sobre o sobre o ‘gabinete paralelo’ instalado na pasta, com favorecimento de pastores na distribuição de verbas – caso revelado pelo Estadão. O mandado cumprido em Santos, no litoral paulista, cita supostos crimes de corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência.

Borelli determinou que, assim que a ordem fosse cumprida, o ex-ministro seja levado para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília. A audiência de custódia do aliado do presidente Jair Bolsonaro – que chegou a dizer que botava ‘a cara toda no fogo’ pelo então ministro – está prevista para as 14h esta quinta-feira, 23.

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