Preso na Pixuleco, Dirceu chega à PF em Curitiba

Cerca de 50 pessoas aguardavam a chegada do ex-ministro em frente à sede da corporação

Redação

04 de agosto de 2015 | 17h38

José Dirce. Foto: André Dusek/Estadão

José Dirceu, deixando a sede da PF em Brasília. Foto: André Dusek/Estadão

Atualizada às 18h42

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (Governo Lula) chegou por volta das 17h25 à Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, base das investigações da Operação Lava Jato, sob forte esquema de segurança. A viatura da PF entrou direto na garagem da sede da corporação, com o ex-ministro no banco de trás.

“Quando eles chegaram no aeroporto, a gente viu que estava acumulando muita gente aqui, foi feita uma troca de carro. Ele viria na van, como todos os presos vieram até hoje. Pedimos que ele viesse em outra viatura e entrasse por trás. É uma situação nova o que aconteceu hoje dentro da Polícia. Chegar uma hora em que a população está dentro do prédio e se acumular daquela forma. Foi por uma questão de segurança”, afirmou o delegado federal Igor Romário de Paula. “Ele veio conversando tranquilamente, mas nada relacionado à investigação.”

VEJA A CHEGADA DA VIATURA COM O EX-MINISTRO DA CASA CIVIL

Cerca de 50 pessoas aguardavam a chegada do ex-ministro em frente à sede da Polícia Federal. No momento em que ele chegou, alguns manifestantes explodiram fogos de artifício, exibindo bandeiras do Brasil e faixas de protesto. Alvo da Operação Pixuleco – 17.º capítulo da Lava Jato -, Dirceu foi preso nesta segunda-feira, 3, em Brasília.

O ministro Luís Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a transferência de Dirceu para Curitiba, base da Lava Jato.

OUÇA A ENTREVISTA DO DELEGADO IGOR ROMÁRIO DE PAULA

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA ROBERTO PODVAL, QUE DEFENDE JOSÉ DIRCEU

NOTA À IMPRENSA

“NÃO HÁ RAZÃO JURÍDICA PARA PRENDER DIRCEU”, AFIRMA PODVAL

A defesa de José Dirceu classifica como desnecessária e sem fundamento jurídico a prisão preventiva do ex-ministro, decretada pela Justiça Federal do Paraná nesta segunda-feira (3), e afirma que irá recorrer da decisão nos próximos dias.

Segundo o advogado Roberto Podval, o ex-ministro cumpre prisão domiciliar e já havia se colocado à disposição da Justiça por diversas vezes para prestar depoimento e esclarecer o trabalho de consultoria prestado às construtoras sob investigação.

“Como já havíamos argumentado no habeas corpus preventivo, José Dirceu não se enquadra em nenhuma das três condições jurídicas necessárias para a decretação de uma prisão preventiva: ele não apresenta risco de fuga, não tem como obstruir o trabalho da Justiça nem tampouco é capaz de manter qualquer suposta atividade criminosa”, afirma. “Mesmo sem entrar no mérito apresentado pelo Ministério Público para justificar a prisão, o argumento da Procuradoria de que Dirceu teria cometido crime desde a época em que era ministro da Casa Civil até o período de sua prisão pela Ação Penal 470 também não tem fundamento porque, hoje, as atividades da JD Assessoria e Consultoria foram encerradas no ano passado e o meu cliente não tem qualquer contato ou recebeu qualquer recurso do delator Milton Pascowitch.”

Roberto Podval alerta para o cálculo equivocado apresentado pela Polícia Federal sobre os supostos recebimentos ilícitos por meio da JDA. Na coletiva pela manhã, o delegado Márcio Anselmo afirmou que o montante chegaria a R$ 39 milhões. “Esse é o total faturado pela empresa em 8 anos de atividade, quando atendeu a cerca de 60 clientes de quase 20 setores diferentes da economia”, diz Podval. “Não há qualquer razoabilidade imaginar que os pagamentos de multinacionais de diversos setores da indústria teriam relação com o suposto esquema criminoso na Petrobras.”

Desde 2006, a JDA foi contratada por empresas como a Ambev, Hypermarcas, Grupo ABC, Telefonica, EMS, além dos empresários Carlos Slim e Gustavo Cisneros. Todos, quando procurados pela imprensa, confirmaram a contratação do ex-ministro para orientação de negócios no exterior ou consultoria política.

“Querem apontar a JDA como uma empresa de fachada, o que é muito inconsistente”, completa Roberto Podval. “O ex-ministro sempre teve profundo reconhecimento internacional e desenvolveu importantes laços de relacionamento com destacadas figuras públicas ao longo de toda sua trajetória e militância política. Esse era o ativo e o valor de José Dirceu como consultor, sem que nunca fosse exigido dele, por parte dos clientes, o envio de relatórios ou qualquer outro tipo de comprovação dos serviços prestados.”

A defesa do ex-ministro reitera que o trabalho de consultoria nunca teve qualquer relação com contratos da Petrobras e que Dirceu sempre trabalhou para ajudar as construtoras na abertura de novos negócios no exterior, em especial em países como Peru, Cuba, Venezuela e Portugal.

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