Preso na Lava Jato também é investigado no RS por corrupção

Vice-presidente da Engevix Gerson de Mello Almada também está na mira do Ministério Público do Rio Grande do Sul, mas investigações correm em sigilo

Redação

23 Abril 2015 | 18h49

Por Mateus Coutinho

Preso na Lava Jato desde novembro do ano passado acusado de participar do esquema de desvio de dinheiro na Petrobrás, o vice-presidente da Engevix Gerson de Mello Almada também entrou na mira do Ministério Público do Rio Grande do Sul, que conduz duas investigações contra o executivo por suspeitas de corrupção.

As investigações da promotoria gaúcha correm em sigilo, mas o juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato, autorizou que os promotores do Ministério Público estadual tomem o depoimento do executivo na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, onde ele está preso.

Gérson Almada afirmou que Dirceu fez 'lobby internacional' para a engevix. Foto: Carol Carquejeiro/Valor

Gérson Almada afirmou que Dirceu fez ‘lobby internacional’ para a engevix. Foto: Carol Carquejeiro/Valor

Não é a primeira vez que promotores de outros Estados, que não o Paraná, pedem apoio ao juiz Sérgio Moro para apurar eventuais irregularidades envolvendo os réus investigados na Lava Jato. Em março, o magistrado acatou ao pedido do Ministério Público de São Paulo e autorizou o compartilhamento de provas da suposta atuação do doleiro Alberto Youssef em obras da Linha 15 – Prata do Monotrilho de São Paulo com o MP estadual, que abriu um inquérito para investigar o empreendimento.

Na Lava Jato, Almada é acusado de participar do cartel de empreiteiras que atuava nas licitações da Petrobrás e pagava propinas nas diretorias da estatal que seriam utilizadas, segundo as investigações, para abastecer o caixa de partidos políticos. Ele é réu por formação de quadrilha, corrupção e lavagem de dinheiro e uma das cinco ações penais propostas contra os executivos envolvidos no esquema. Segundo o Ministério Público Federal, a diretoria de Abastecimento, sob comando de Paulo Roberto Costa até 2012, era responsável por destinar recursos aos parlamentares do PP, partido que o indicou.

Já a Diretoria de Serviços, comandada pelo indicado do PT Renato Duque até 2012, segundo os procuradores da Lava Jato recolhia propinas para o Partido dos Trabalhadores por meio de vários operadores, dentre eles, João Vaccari Neto, ex-tesoureiro da sigla e que também foi preso na Lava Jato.

A reportagem entrou em contato com o escritório que defende Gerson Almada, mas foi informado que a sua defensora estava em reunião.