Preso com R$ 588 mil em dinheiro vivo, assessor de prefeito tinha salário de R$ 9,3 mil

Preso com R$ 588 mil em dinheiro vivo, assessor de prefeito tinha salário de R$ 9,3 mil

João Eduardo Gaspar era secretário de Governo da Prefeitura de Mauá e chefe de gabinete de Átila Jacomussi (PSB); ambos foram presos dia 9 na Operação Prato Feito por suspeita de ligação com esquema de fraudes na merenda escolar

Julia Affonso

24 Maio 2018 | 15h08

Foto: Reprodução

O secretário de Governo da Prefeitura de Mauá, João Eduardo Gaspar, aliado do prefeito Átila Jacomussi (PSB), recebeu o valor líquido de R$ 122 mil em salários no ano de 2017 – cerca de R$ 9,3 mil mensais e 13º. Alvo da Operação Prato Feito, que investiga fraude da merenda, Gaspar foi preso em flagrante por lavagem de dinheiro, no dia 9. Na casa do assessor, a Polícia Federal apreendeu R$ 588,417 mil em dinheiro vivo.

“Segundo comprovante de rendimentos da Prefeitura de Mauá apreendido, sua renda anual foi de aproximadamente R$ 122 mil reais líquidos em 2017 e, ainda, a sua residência, segundo Auto Circunstanciado, é simples, alugada e certamente avaliada em R$ 250 mil conforme vizinhos”, registrou relatório da PF.

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No mesmo dia, a PF apreendeu R$ 87 mil no armário da cozinha e na bolsa pessoal de Átila Jacomussi e ainda R$ 4.613.610 e mais US$ 216 mil em dinheiro vivo no guarda-roupas do prefeito de Mongaguá, Artur Parada Prócida (PSDB). Os dois chefes de Executivo também foram presos em flagrante.

Jacomussi e Artur entraram com pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal. A liberdade dos prefeitos de Mauá e Mongaguá está nas mãos do ministro Gilmar Mendes, que vai decidir.

Além de secretário em Mauá, João Gaspar era também chefe de Gabinete da Prefeitura. Antes de trabalhar no Executivo municipal, ele foi assessor de Jacomussi na Assembleia Legislativa de São Paulo.

“Durante as investigações Átila era deputado estadual e João Eduardo Gaspar foi lotado em seu gabinete em 2015 e 2016”, relata a Federal.

Interceptações telefônicas flagraram o empresário Carlos Zeli Carvalho, o Carlinhos, em conversas e encontros ‘rotineiros’ com Gaspar em 2016. Segundo a PF, nos áudios, o assessor de Jacomussi ‘apontava que os valores entregues mensalmente por Carlinhos se destinavam ao seu chefe Átila’.

“Houve diversos pagamentos de vantagem indevida para o assessor de Átila – João Gaspar – por meio de transferências bancárias em sua conta pessoal, entrega de cheques e valores em espécie”, registrou a PF. “Há ainda transferência de valores de João Gaspar para seu chefe Átila.”

Análise da PF sobre o sigilo bancário de João Gaspar apontou que, em 2016, o assessor do prefeito recebeu 10 transferências, no total de R$ 138 mil, entre janeiro e outubro. O remetente era Carlinhos.

“Segundo áudios, também foram realizados pagamentos em espécie, ao que há indícios que este valor se trata da ínfima parte das vantagens ilícitas que eram recebidas periodicamente por João Gaspar e seu chefe Átila uma vez indicativos ao telefone que o meio seguro seria a entrega de valores em espécie”, afirmou a Federal.

“Importante destacar que João Gaspar utilizava do telefone pessoal de Átila Jacomussi para fazer esses acertos”, aponta a Polícia Federal.

A reportagem está tentando contato com os citados. O espaço está aberto para manifestação.

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