Presidente do PT diz que sucessora de Moro também é suspeita para julgar Lula

Presidente do PT diz que sucessora de Moro também é suspeita para julgar Lula

Senadora Gleisi Hoffmann acusa juíza Gabriela Hardt, atual responsável pelos processos da Lava Jato em Curitiba, de não ter 'imparcialidade' e afirma que nova condenação é esperada

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

14 Novembro 2018 | 15h31

Gleisi Hoffmann. Foto: REUTERS/Leonardo Benassatto

A presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, afirmou nesta quarta-feira, 14, em Curitiba, que a juíza federal Gabriela Hardt, atual responsável pelos processos da Operação Lava Jato, não tem “imparcialidade” para julgar Luiz Inácio Lula da Silva. O ex-presidente deixou pela primeira vez a cela onde está preso há sete meses para prestar depoimento como réu no processo do sítio de Atibaia (SP).

A presidente do partido e outros parlamentares do PT, como o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), afirmaram em coro – literalmente – que o juiz federal Sérgio Moro, que tirou férias e anunciou que vai pedir demissão em janeiro para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), “ainda comanda os processos” da Lava Jato. E que tanto ele, como sua substituta são suspeitos e não poderia julgar o ex-presidente.

“Moro tem lado. Ao tirar férias e não se exonerar do cargo de juiz, dirigiu para quem ia ficar o processo. Para a juíza substituta, sua amiga que vai fazer o que ele quiser, porque se ele se exonerasse, como manda a lei, o processo seria distribuída tecnicamente”, afirmou Gleisi, em jogral feito na frente do prédio da Justiça Federal, em Curitiba, minutos antes do início da audiência.

No local, manifestantes em apoio a Lula se concentraram desde cedo. Para que todos pudessem ouvir o que falavam os petistas que mantém contato com o ex-presidente, foi organizado um esquema de jogral, em que os mais próximos repetiam em coro a fala.

A presidente do PT sustentou ainda que espera uma nova condenação de Lula. “O que podemos esperar desse processo? De novo uma condenação do presidente Lula, sem prova, uma condenação sem a observação do processo legal”, afirmou a presidente do PT.

“Os juízes que estão julgando (Lula) não são isentos e nem imparciais.”

Condenado em segundo grau no caso do triplex do Guarujá (SP), a pena de 12 anos e um mês de prisão, o ex-presidente também é réu em outro processo, em fase final, sobre propinas da Odebrecht na compra de um terreno de R$ 12 milhões para o Instituto Lula e de um apartamento em São Bernardo do Campo usado pela família do petista.

As declarações dos petista vão ao encontro da tese da defesa jurídica do ex-presidente nos processos. Lula sustenta que é inocente, que não existem provas contra ele e que é vítima de uma perseguição política nos processos da Lava Jato. Sua defesa acusa também Moro de ter perdido a imparcialidade nos processos e tenta, sem sucesso, anular os casos.

A defesa pediu que o processo fosse retirado da Justiça Federal no Paraná, por entender que o caso não está relacionado aos casos da Lava Jato, da corrupção descoberta na Petrobrás.

O Ministério Público Federal, no entanto, relaciona as supostas propinas ocultas em obras no sítio de Atibaia em benefício de Lula a negócios da Petrobrás, entre eles contratos nas obras da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco, no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), entre outros.

Pimenta lembrou que durante as férias, Moro despachou nos processos quando o desembargador de plantão do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) Rogério Favreto determinou a liberdade de Lula em um habeas corpus, depois derrubado na própria Côrte e nas instâncias superiores.

Depoimentos. É a terceira vez que Lula é interrogado como réu da Lava Jato, a primeira foi em 10 maio de 2017, a segunda vez, em 13 de setembro. Mas a primeira como preso e condenado – no caso do triplex do Guarujá – e também sem o juiz Sérgio Moro.

A juíza federal começou a audiências às 14 horas com depoimento do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula e também réu no processo. Os interrogatórios na sala de audiências da 13.ª Vara Federal, em Curitiba, marcam o final das oitivas dos réus no caso do sítio de Atibaia – um dos episódios mais emblemáticos do escândalo de corrupção, envolvendo Lula.

Na ação do sítio, Lula e outros 12 réus são acusados de ocultarem propinas de contratos da Petrobrás em reformas e compra de equipamentos para o imóvel. A Lava Jato entende que a propriedade é do ex-presidente, mas em nome de “laranjas”, mas o caso ainda está sob investigação e pode virar outra denúncia.

O ex-presidente,  segundo a força-tarefa da Lava Jato, teria sido contemplado com propina de R$ 1,02 milhão. O dinheiro seria de José Carlos Bumlai, relacionados a empréstimo fraudulento com o Grupo Schahin ao PT e negócios da empresa com a Petrobrás, e da Odebrecht e da OAS, também decorrentes de contratos com a estatal.