‘Presidente da República que se preze não discute dinheiro de campanha’, afirma Lula à Lava Jato

‘Presidente da República que se preze não discute dinheiro de campanha’, afirma Lula à Lava Jato

Petista disse que não conhece doação feita pela UTC na campanha de sua reeleição em 2006; 'não acredito', disse o petista ao ser questionado sobre repasse de R$ 2,4 milhões de caixa 2 admitido por dono de empreiteira

Julia Affonso, Fausto Macedo, Matheus Coutinho e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

15 de março de 2016 | 05h31

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Luiz Inácio Lula da Silva negou à Polícia Federal saber sobre os R$ 2,4 milhões doados pela empreiteira UTC na campanha presidencial do PT de 2006, quando foi reeleito. Em depoimento prestado à Operação Lava Jato, no dia 4 de março, quando foi levado coercitivamente por determinação do juiz Sérgio Moro, o ex-presidente afirmou que “não discute dinheiro de campanha”.

“Deixa eu lhe falar uma coisa, um Presidente da República que se preze não discute dinheiro de campanha, se ele quiser ser presidente de fato e de direito ele não discute dinheiro de campanha.”

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O delegado da Polícia Federal Luciano Flores de Lima perguntou sobre “uma doação de 2,4 milhões feita pela UTC Engenharia”. “O senhor não tomou conhecimento?”.
Lula respondeu: “Nem essa e nem outras”.

O ex-presidente disse que se a UTC doou “deve estar registrado na Justiça Eleitoral.”

Ricardo Pessoa, o dono da UTC, foi o primeiro grande empreiteiro do cartel envolvido em corrupção na Petrobrás, a fechar acordo de delação premiada com a Lava Jato. Ele afirmou que sua empresa e outras três – Queiroz Galvão, IESA e Camargo Corrêa – se juntaram para pagar R$ 2,4 milhões de caixa 2 para a campanha de reeleição de Lula.

Segundo o empreiteiro, o pedido de doação “não oficial” partiu do então tesoureiro da campanha petista José de Filippi Junior, que também foi alvo da Operação Aletheia – 24ª fase da Lava Jato – sendo levado, como Lula, para depor coercitivamente no dia 4. Teria sido ele o responsável pelo pedido de caixa-2 para a empreiteira líder do consórcio QUIP, responsável pela construção da plataforma P-53 da Petrobrás.

O dinheiro foi entregue a Pessoa por um representante do consórcio QUIP na UTC e, a partir daí, teriam sido feitas três entregas diretamente a Filippi no comitê de campanha de Lula na Avenida Indianópolis, na capital paulista, totalizando os R$ 2,4 milhões. Pessoa disse que fez duas entregas pessoais e Filippi e que seu funcionário Walmir Pinheiro fez a terceira.

Na prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral, constam quatro doações oficiais da UTC para o comitê da campanha presidencial petista totalizando R$ 1,2 milhão, valor que o próprio Pessoa admitiu em sua delação ter repassado oficialmente para a campanha petista sem relação com o caixa 2 envolvendo o esquema de corrupção na Petrobrás.

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‘Não acredito’. O delegado da Lava Jato insistiu com Lula se ele ouviu falar ou tomou conhecimento de ‘uma possível doação da UTC ao Partido dos Trabalhadores, em razão de contratos celebrados com a Petrobrás, como se fosse uma espécie de, por exemplo, comissão’.

“Eu não acredito nisso, eu não acredito, em muita coisa que eu vejo na imprensa sobre Lava Jato eu não acredito”, respondeu o ex-presidente.

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