Presidente da OAB diz que ‘radicalização e extremismo são forças obscuras empenhadas em sabotar democracia’

Presidente da OAB diz que ‘radicalização e extremismo são forças obscuras empenhadas em sabotar democracia’

Na posse do novo presidente do Supremo, ministro Dias Toffoli, advogado Claudio Lamachia condena apologia ao ódio e à violência

Teo Cury, Rafael Moraes Moura e Amanda Pupo/BRASÍLIA

13 Setembro 2018 | 19h28

Posse do novo presidente do STF, Dias Toffoli. Foto: Dida Sampaio/ESTADÃO

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia, disse nesta quinta-feira, 13, que a radicalização, os extremismos e a apologia ao ódio e à violência são “forças obscuras” empenhadas em sabotar a democracia. Lamachia discursou na cerimônia de posse do novo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli, em Brasília,

“Se o desafio, ao tempo de Raymundo Faoro (jurista brasileiro), era o de reconquistar a democracia, o de hoje nos parece bem mais complexo, pois é o de preservá-la – e fortalecê-la. Não faltam forças obscuras empenhadas em sabotá-la – e a maior delas é a radicalização, a ação dos extremismos, a apologia do ódio e da violência, sejam de esquerda ou de direita”, disse.

O advogado lembrou do ataque ao candidato do PSL Jair Bolsonaro à Presidência da República ao citar o “ambiente de radicalização” que vive o País. “Os ânimos se acirraram e estão numa temperatura que precisa baixar. A Justiça tem procurado cumprir seu papel, em meio a um ambiente que não favorece sua missão: ânimos exaltados, manipulação do descrédito popular em relação às instituições, luta de facções.”

Lamachia também destacou a importância do Poder Judiciário para o País. “A crise o elevou à condição de Poder Moderador da República. Não é um status que tenha sido postulado, mas que se impôs pela força das circunstâncias. E por imperativo constitucional”, disse.

Cármen Lúcia. Ao final de seu discurso, Claudio Lamachia elogiou a gestão da antecessora de Dias Toffoli, que, segundo ele, realizou uma “missão árdua, que lhe exigiu coragem, bom senso e competência”.

“Poucas vezes em sua história, o Supremo foi alvo de tantas pressões, incompreensões e mesmo agressões e insultos. Jamais foi tão posto à prova. E soube – ministra Cármen – lidar com essas adversidades, inerentes ao desconcerto destes nossos dias, sem perder de vista as responsabilidades que tem como instância máxima do Poder Judiciário”, concluiu.