Presidente da Câmara de Vereadores de São João de Meriti é preso suspeito de vender respiradores superfaturados ao governo de SC

Presidente da Câmara de Vereadores de São João de Meriti é preso suspeito de vender respiradores superfaturados ao governo de SC

Investigação aponta fraude em contratos que somam R$ 33 milhões; Ex-chefe da Casa Civil catarinense também foi preso

Rayssa Motta e Fausto Macedo

07 de junho de 2020 | 20h11

O presidente da Câmara de Vereadores de São João de Meriti (RJ), Davi Perini. Foto: Câmara de Vereadores/Reprodução

A Justiça determinou a transferência do presidente da Câmara de Vereadores de São João de Meriti, na região metropolitana do Rio de Janeiro, para Santa Catarina. Ele foi preso no sábado, 6, suspeito de vender respiradores pulmonares superfaturados ao governo catarinense. Davi Perini Vermelho é um dos sócios da empresa que comercializou os equipamentos essenciais ao tratamento de pacientes graves com covid-19. Os contratos firmados sem licitação no mês de março somam R$33 milhões.

Além de Perini também foram presos César Augusto Martinez Thomaz Braga, advogado que teria assinado documentos como diretor jurídico da Veigamed, empresa que realizou a venda dos respiradores para ao governo catarinense, e Douglas Borba, ex-secretário da Casa Civil de Santa Catarina. A investigação aponta que Borba, ‘valendo-se do prestígio que lhe conferia o cargo de Chefe da Casa Civil que à época ocupava’, convenceu a servidora encarregada pela aquisição de equipamentos e materiais para o enfrentamento à epidemia de coronavírus no território catarinense a contratar a empresa Veigamed.

Também há mandado de prisão contra Pedro Nascimento Araújo, diretor executivo da empresa, além do empresário Fábio Deambrósio Guasti, que teria chefiado a negociação em nome da Veigamed.

O grupo é suspeito de fraude, peculato, lavagem ou ocultação de bens, corrupção ativa e passiva.

A investigação é conduzida por agentes do Ministério Público e Polícia Civil catarinenses e aponta que além de superfaturados, os produtos entregues tinham ‘qualidade inferior, imprestável para atendimento de pacientes graves da Covid-19’.

Os investigadores afirmam que ‘trata-se, possivelmente, do crime mais perverso cometido na história recente catarinense’. Ainda segundo os agentes, o grupo ‘mesquinha’ e ‘dissimuladamente’, ‘em detrimento da vida da população, para auferir ganho milionário, ‘aproveitando-se da situação de calamidade pública’ imposta pela Covid-19.

A força-tarefa também apreendeu documentos e o aparelhos eletrônicos de Perini.  No celular, em mensagens trocadas com o diretor da empresa sobre a investigação, o parlamentar afirma ter ‘apagado tudo no seu telefone’. Os dois também demonstram preocupação com o avanço da apuração sobre os contatos (leia abaixo).

Com o vereador, que também foi alvo de busca e apreensão, foram encontrados R$ 300 mil. No inquérito, os investigadores afirmam que ‘Davi ostenta seu poder econômico’ e justificam o pedido de prisão para impedir a continuidade dos crimes e porque o parlamentar costuma transitar ‘facilmente pelo país, fazendo uso de aeronaves privadas, o que indica possibilidade concreta de fuga’.

COM A PALAVRA, A DEFESA DO VEREADOR

A reportagem busca contato com a defesa do vereador Davi Perini. O espaço está aberto a manifestação (rayssa.motta@estadao.com).

COM A PALAVRA, A DEFESA DO EX-SECRETÁRIO

A reportagem busca contato com a defesa do ex-secretário da Casa Civil de Santa Catarina, Douglas Borba. O espaço está aberto a manifestação.

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