Presidente da Caixa ameaça pegar em armas se filha for presa por furar isolamento

Presidente da Caixa ameaça pegar em armas se filha for presa por furar isolamento

Pedro Guimarães disse em reunião ministerial com o presidente Jair Bolsonaro que se sua filha fosse para o camburão, como ocorreu com a família do deputado Luiz Lima (PSL-RJ), ele iria pegar suas 15 armas para 'matar ou morrer'

Bianca Gomes

22 de maio de 2020 | 23h00

O presidente da Caixa, Pedro Guimarães. Foto: Marcos Corrêa/PR

O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, disse em reunião ministerial com o presidente Jair Bolsonaro que se sua filha fosse para o camburão, como ocorreu com a família do deputado Luiz Lima (PSL-RJ), ele iria pegar suas 15 armas para “matar ou morrer”. “Que p* é essa? O cara vai pro camburão com a filha. Se fosse eu, ia pegar minhas quinze armas e .. . ia dar uma … eu ia se … eu ia morrer. Porque se a minha filha fosse pro camburão, eu ia matar ou morrer.”A gravação do encontro foi divulgada nesta sexta-feira pelo ministro Celso de Mello, relator no Supremo Tribunal Federal (STF) do inquérito que investiga se o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir na Polícia Federal para ter acesso a inquérito sigiloso.

A mulher e a filha do deputado Luiz Lima foram detidas no dia 21 de abril por estarem nadando na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Elas teriam descumprido o decreto do governador Wilson Witzel que proíbe a circulação no local.

Na sua intervenção, o presidente da Caixa ainda chamou de “frescurada” o esquema de home office adotado durante a pandemia do coronavírus e disse que há 30 mil funcionários do banco nas ruas. “Não tem esse negócio, essa frescurada de home office. Eu já visitei quinze agências, e você em casa?”, disse Guimarães ao narrar uma conversa que teria tido com funcionários de uma emissora de televisão.

“Quer dizer, eu posso ter trinta mil brasileiros nas agências lá…Sabe quantas pessoas a Caixa está pagando hoje? Sete milhões de pessoas. E todo mundo em home office. Que porcaria é essa?”, declarou durante a reunião ministerial do dia 22 de abril. Ele contou, ainda, que avisou a esposa que se tiver qualquer coisa vai tomar um litro de cloroquina, medicamento defendido por Bolsonaro para tratar a covid-19, mas sem comprovação científica.

Guimarães ganhou a simpatia de Bolsonaro por atender de antemão os pedidos para baixar juros, principalmente no cheque especial. O presidente da Caixa e é frequentador assíduo do Palácio da Alvorada, onde participa frequentemente das lives do presidente. O Estado procurou a assessoria do presidente da Caixa, mas ainda não teve resposta.

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