Presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo foi preso pela Lava Jato

Presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo foi preso pela Lava Jato

Empreiteira é suspeita de pagar propina em contratos da Petrobrás, por meio do lobista do PMDB Fernando Baiano

Redação

19 Junho 2015 | 08h09

Otávio Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez. Foto: Marcos de Paula/Estadão

Otávio Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez. Foto: Marcos de Paula/Estadão

Atualizada às 9h32

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso, Fausto Macedo e Andreza Matais

O presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, e os executivos César Ramos Rocha e Flávio Lúcio Magalhães, também da empresa, estão entre os presos da 14ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada na manhã desta sexta-feira, 19. Há ainda outro executivo da empreiteira com mandato a ser cumprido pela Polícia Federal.

ESPECIAL: Entenda o esquema investigado pela Lava Jato

Azevedo será levado ainda hoje para Curitiba, sede das investigações. Segundo o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, a empreiteira Andrade Gutierrez pagava propina ao PMDB e ao PP em contratos da sua área, por meio do lobista Fernando Antônio Falcão Soares, o Fernando Baiano – preso desde dezembro de 2014, em Curitiba.

VEJA O DEPOIMENTO DE YOUSSEF QUE CITA AS OPERAÇÕES DA ANDRADE GUTIERREZ:

Em declaração prestada aos delegados federais da Operação Lava Jato, Costa afirmou que o suposto operador peemedebista chegou a manter US$ 4 milhões à sua disposição no exterior.

“Deste montante, entre US$ 2 milhões e US$ 2,5 milhões eram oriundos de valores pagos pela Andrade Gutierrez”, afirmou Costa, em depoimento no dia 5 de setembro de 2014.

A PF registra que do saldo de US$ 4 milhões “solicitou a Fernando que transferisse US$ 3 milhões para uma conta no exterior em nome de seus genros Humberto e Márcio”. O ex-diretor de Abastecimento já indicou aos investigadores da Lava Jato a conta.

Costa afirmou não saber o que “Fernando fez com o saldo de US$ 1 milhão que havia restado” daquilo que lhe era devido nos contratos operador por Baiano dentro da Diretoria de Abastecimento. Segundo a Lava Jato, PT, PMDB e PP controlavam diretorias da Petrobrás por meio das quais arrecadavam de 1% a 3% nos contratos para os partidos. O PT controlava Serviços, Exploração e Produção e Gás e Energia. O PMDB controlava a Diretoria Internacional. E o PP a de Abastecimento.

Segundo revelou Costa, os valores “cobrados e geridos” por Fernando Baiano em nome da Andrade Gutierrez mudaram de mãos a partir de 2008 ou 2009. Até lá, a empreiteira tratava diretamente com o doleiro Alberto Youssef, operador do PP na Abastecimento.

Costa contou que a empreiteira, mesmo após “ganhar algum contrato” sob responsabilidade de sua diretoria “custava a depositar o valor devido ao PP”. Com a substituição de Youssef por Fernando Baiano, o PMDB passou a ser contemplado com a propina.

Costa apontou ainda a “proximidade” do lobista com empreiteiro Otávio Azevedo. O delator apontou ainda o nome do executivo Paulo Dalmaso como seu contato na empreiteira.

COM A PALAVRA, A ANDRADE GUTIERREZ

“A Andrade Gutierrez informa que está acompanhando o andamento da 14ª fase da Operação Lava Jato e prestando todo o apoio necessário aos seus executivos nesse momento. A empresa informa ainda que está colaborando com as investigações no intuito de que todos os assuntos em pauta sejam esclarecidos o mais rapidamente possível. Este tem sido, inclusive, o procedimento da companhia desde o início das investigações, atendendo a convocações da Justiça ou comparecendo voluntariamente para apresentar documentos e prestar esclarecimentos, causando estranheza as prisões. A Andrade Gutierrez reitera, como vem fazendo desde o início das investigações, que não tem ou teve qualquer relação com os fatos investigados pela Operação Lava Jato, e espera poder esclarecer todos os questionamentos da Justiça o quanto antes.”

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