Preocupação com os profissionais de Saúde

Preocupação com os profissionais de Saúde

Edison Ferreira da Silva*

27 de março de 2021 | 10h00

Edison Ferreira da Silva. FOTO: DIVULGAÇÃO

Como observa-se atualmente, a situação de calamidade nas estruturas de prestação de serviços de saúde esfacela as equipes multiprofissionais. A crise representa um esforço fora do normal para tentar inibir as questões psicológicas e de esforço na atuação das inúmeras atividades profissionais. O compromisso destes trabalhadores extrapola sua concepção profissional e agrega o compromisso de sobrevivência da humanidade.

A ausência de políticas públicas consistentes, falta do direcionamento único do poder de comando, demonstram várias convergências em cada canto do país, dos equipamentos de saúde e das formas de atuação pública e privada.

As equipes profissionais de saúde estão extremamente cansadas e, em alguns casos, sem quaisquer processos de motivação, face a falta de recursos suficientes para o desempenho de suas profissões. Os hospitais, principalmente aqueles filantrópicos, estão na batalha de submeter-se às mazelas de uma tabela do SUS desatualizada há muito tempo.

A maior preocupação de todos é o colapso com a ausência de profissionais para o atendimento da pandemia. O processo de desgaste é latente e surge com ascendência preocupante a Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional, distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico, resultantes de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. A principal causa da doença é justamente o excesso de trabalho. Este enfretamento deve estar no cenário dos grandes prejuízos à saúde, preconizados na Constituição Federal, a qual diz que “a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

Pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que analisou o impacto da pandemia e do isolamento social na saúde mental de trabalhadores essenciais, mostrou que sintomas de ansiedade e depressão afetam 47,3% desses trabalhadores no Brasil e na Espanha. Mais da metade deles (e 27,4% do total de entrevistados) sofre de ansiedade e depressão ao mesmo tempo. Além disso, 44,3% têm abusado de bebidas alcoólicas; 42,9% sofreram mudanças nos hábitos de sono e 30,9% foram diagnosticados ou se trataram de doenças mentais no ano anterior. Segundo a Organização Mundial da Saúde, no Brasil, 11,5 milhões de pessoas sofrem com depressão e até 2030 essa será a doença mais comum no país. A Síndrome de Burnout ou esgotamento profissional também vem crescendo como um problema a ser enfrentado pelas empresas e, de acordo com um estudo realizado em 2019, cerca de 20 mil brasileiros pediram afastamento médico no ano por doenças mentais relacionadas ao trabalho.

A ausência de custeio provoca ainda mais estresse aos profissionais, face os parcos recursos financeiros e técnicos, fundamentais para a humanização do atendimento dos pacientes.

*Edison Ferreira da Silva é presidente do Sindicato das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Estado de São Paulo (SINDHOSFIL)

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