Pregão eletrônico diminui a corrupção e gera economia para o Estado

Pregão eletrônico diminui a corrupção e gera economia para o Estado

Everton Porath*

15 de agosto de 2019 | 06h00

Everton Porath. FOTO: DIVULGAÇÃO

Santa Catarina foi o mais recente estado da União a aderir de maneira integral ao uso do pregão eletrônico para os processos de compras públicas. A decisão recente deve gerar uma economia de R$ 40 milhões por ano e diminuir a corrupção no governo. A iniciativa representa um grande passo para o Estado e pode ser exemplo para outras regiões do país fazerem o mesmo.

Com esse decreto novas empresas poderão fazer parte do processo licitatório e assim aumentar a oferta de produtos e, por consequência, diminuir o preço que o governo deverá pagar por cada item em uma licitação. Para ter uma noção do impacto, no ano passado, ocorreram mais de 270 pregões presenciais em Santa Catarina, um total de R$ 258,1 milhões em compras e contratações. A medida irá proporcionar uma economia de até 16% deste valor.

Medidas como essa são fundamentais para eliminar a corrupção nas camadas mais profundas do governo. É através da tecnologia e do uso do pregão eletrônico que deixamos o processo licitatório muito mais transparente. O que é fundamental. Recentemente, Santa Catarina vivenciou a operação Alcatraz, que investigou desvios realizados através das licitações. Transformar o processo licitatório do governo é urgente para no nosso estado.

Além da transparência, a digitalização do processo gera oportunidade para outras empresas, menores e do interior do país, participarem como fornecedores. Com a digitalização, as oportunidades são as mesmas para pequenas e grandes empresas, que passam a poder competir igualmente. Vale lembrar que no pregão eletrônico o que importa mesmo é o preço final do produto, e a estrutura da sua empresa não impacta indiretamente nisso. Porém, para os pregões presenciais, é muito mais desafiador uma pequena organização participar da disputa, por não possuir recurso necessário para enviar representantes para o local. Em contrapartida, as grandes organizações podem desenvolver times especializados no processo licitatório e pagarem viagens para representantes participarem de licitações presenciais, por exemplo.

Quando essas empresas menores começam a ganhar as disputas, o dinheiro passa a circular por diferentes camadas sociais, atingindo cidades pequenas e pouco desenvolvidas, incentivando novos empreendedores a adentrarem no ramo e impulsionando a economia como um todo.

Medidas como essa também incentivam o desenvolvimento de novas tecnologias para auxiliar os fornecedores, como automação para os processos licitatórios e a criação de softwares e startups de logística, por exemplo.

Até o momento, além de Santa Catarina, apenas quatro outros estados possuem medidas como essa. São eles: Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo. E também as capitais Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. Espero que outros estados da União se inspirem em Santa Catarina e realizem o mesmo processo. Só assim vamos conseguir transformar as compras públicas e eliminar a corrupção do processo.

*Everton Porath, sócio e COO da Effecti

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