Prefeito Lindo ‘tentou enfiar a língua na boca’ de enfermeira em seu gabinete, diz sentença

Prefeito Lindo ‘tentou enfiar a língua na boca’ de enfermeira em seu gabinete, diz sentença

Ademir Alves Lindo, prefeito de Pirassununga, no interior de São Paulo, foi condenado à perda dos direitos políticos por cinco anos, mais multa de cem vezes sua remuneração, pelo juiz Rafael Pinheiro Guarisco, em ação civil pública em que é acusado de beijar à força mulheres em seu gabinete; leia a sentença

Luiz Vassallo

01 de fevereiro de 2019 | 05h50

Ademir Alves Lindo, prefeito de Pirassununga. Foto: Prefeitura de Pirassununga

Após tentar ‘enfiar a língua’ na boca de uma mulher à força, dentro de seu gabinete, Ademir Alves Lindo, prefeito de Pirassununga, ainda beijou a filha da vítima, de 11 anos, ‘segurando seu rosto’, narra o juiz Rafael Pinheiro Guarisco. O magistrado condenou o gestor da cidade no interior de São Paulo, a 208 quilômetros da capital, por improbidade administrativa relacionada à acusação de assediar e beijar quatro mulheres à força. A pena é de cinco anos de perda de direitos políticos, mais 100 vezes o valor de sua remuneração. Lindo pertencia ao PSDB, mas foi expulso do partido após apoiar o ex-governador Márcio França nas eleições de 2018. Ele já teve outros três mandatos.

Documento

O juiz relata, em sentença, que ‘todos os episódios ocorreram nas dependências da Prefeitura, no interior do gabinete do requerido, espaço público de propriedade e interesse de toda a coletividade’.

“Assim é que, em 20/07/2005, Tarcila Rocha Braga Netta Zaramela noticiou à autoridade policial que em meados de janeiro daquele ano, tendo procurado o requerido para tratar da prorrogação do seu contrato de trabalho, foi cumprimentada pelo Prefeito com um “beijo na boca””, descreve o magistrado.

Trecho da decisão

O juiz continua. “Em seguida, ele trancou a porta e após colocar uma cadeira na frente daquela onde a declarante estava, sentou-se e passou a apalpar o seu corpo, principalmente os seios, chegando inclusive a pedir que levantasse a blusa”.

“Tentando escapar levantou-se mas ele também se levantou e voltando a apalpar o seu corpo, chegando, inclusive, a pegar na mão da declarante e levá-la até seu pênis; que o Prefeito chegou a propor que fizessem sexo ali mesmo”, anota.

Segundo o juiz, ‘em outra oportunidade, o requerido, utilizando linha telefônica instalada em seu gabinete, de propriedade do Município de Pirassununga, insinuou-se para Janaina Priscila Kul, dando a entender que a colocação profissional pretendida por ela, enfermeira, estaria garantida se a vítima se encontrasse com ele na rodoviária de Leme no dia seguinte’. “Sobre esta vítima, o requerido a atendeu em duas oportunidades anteriores, também no seu gabinete, tendo a recebido em ambas com um beijo na boca sem consentimento”.

“Na segunda delas, receosa de que o Prefeito viesse a praticar novamente condutas indesejadas, Janaina foi acompanhada de um vereador e de sua filha, uma criança de 11 anos. O vereador, no entanto, acabou solicitado por uma pessoa do gabinete e deixou Janaina e a filha a sós com Ademir, momento em que o Prefeito a segurou pelo braço e tentou enfiar a língua na boca dela. Logo em seguida, segurou no rosto da menina, Julia Kul Santos Luiz, e também a beijou na boca”, diz a sentença.

Em outro episódio, o magistrado afirma que ‘Rosa Marta Camilo, mãe de sete filhos, desde a terceira gestação tencionava a realização da cirurgia de laqueadura custeada pelo Município’. “A vítima procurou o Prefeito em seu gabinete no ano de 2008. Na oportunidade, ele a perguntou quantos filhos possuía e ouviu dela como resposta que tinha sete. O Prefeito, então, comentou que ela deveria ser muito boa de cama e, quando Rosa foi deixar a sala, ele foi em sua direção, puxou-a e deu-lhe um beijo na boca”.

O juiz afirma que ‘Carla Adriana Ferreira. Assim como as outras vítimas, ela foi subjugada e molestada pelo requerido em setembro de 2010’. “Relatou que ingressou no gabinete do Prefeito para deixar um currículo, interessada na vaga de enfermeira da Santa Casa”.

“Estendeu a mão para cumprimentar o réu, quando ele, vindo ao seu encontro, segurou-a no rosto com as duas mãos e lhe deu um beijo na boca. Carla contou o ocorrido ao seu genitor que imediatamente procurou o Prefeito para explicações. Ele, então, desferiu golpes contra o Sr Valdeci, pai da vítima, agressões”, anotou.

COM A PALAVRA, O PREFEITO LINDO

Nos autos, o prefeito negou que tenha praticado qualquer ato de natureza lasciva ou sexual e sustentou ter sido vítima de acusações falsas para denegrir sua imagem.

A reportagem busca contato com Ademir Alves Lindo. O espaço está aberto para manifestação.

Tendências: