Prefeito de Ilhabela é afastado em operação da PF contra fraude e corrupção

Prefeito de Ilhabela é afastado em operação da PF contra fraude e corrupção

Agentes realizam buscas em 21 endereços, entre eles a residência e o gabinete de Márcio Tenório (MDB); Outros cinco investigados também foram afastados

Pepita Ortega

14 de maio de 2019 | 09h07

Márcio Tenório, prefeito de Ilhabela. Foto: Rodrigo Zapelli / Reprodução Prefeitura de Ilhabela

O prefeito de Ilhabela, Márcio Tenório (MDB), foi afastado da função pública no âmbito da Operação Prelúdio II, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta terça, 14. A investigação apura crimes de fraude à licitação, superfaturamento de preços, corrupção ativa e passiva, lavagem de capitais e associação criminosa.

Além do prefeito foram afastados os secretários municipais Osvaldo Julião (Jurídico) e Vinícius Julião (Saúde), além de três outros investigados.

Veja o momento em que a Polícia chega à casa de Tenório:

A Polícia Federal realiza buscas em 21 endereços, entre eles a residência e o gabinete do atual prefeito. Os agentes cumprem ainda três mandados de prisão preventiva e uma medida cautelar.

A PF fez buscas também nos gabinetes dos vereadores Gabriel Rocha (Solidariedade) e Cleison Guarubela (DEM).

Um dos endereços onde a Operação Prelúdio II realiza buscas nesta terça, 14. Foto: Polícia Federal

No caso de Tenório, o afastamento e os mandados de busca foram determinados pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, com base na representação da Polícia Federal e no parecer favorável do Ministério Público Estadual.

Já o Juízo Criminal de Ilhabela acatou parcialmente o pedido de prisão, busca e apreensão e afastamento de função dos outros envolvidos.

Apreensão realizada em um dos endereços onde a Operação Prelúdio II realiza buscas nesta terça, 14. Foto: Polícia Federal

O novo inquérito tem como base os materiais apreendidos na Operação Prelúdio I, iniciada em outubro de 2017.

A investigação constatou que, no início da atual administração municipal, em 2017, houve a ‘rescisão amigável’ de um contrato entre a prefeitura e uma empresa que deixou de processar resíduos de podas e folhas e da construção civil resíduos por quatro meses.

A Polícia avaliou que a rescisão seria uma ‘possível ação combinada para justificar a contratação emergencial de uma nova empresa’, com ‘a montagem de um processo administrativo para dar aparência de legalidade à operação’.

Apreensão realizada em um dos endereços onde a Operação Prelúdio II realiza buscas nesta terça, 14. Foto: Polícia Federal

A nova empresa não possuía equipamentos, funcionários, veículos ou qualquer experiência nos serviços contratados, aponta a investigação. O edital exigia uma companhia especializada.

Um empresário já investigado na Operação Torniquete por irregularidades em diversos contratos de obras públicas em São Sebastião fazia parte da empresa segundo a PF, mas o seu nome foi omitido no contrato social.

A investigação identificou que parcelas dos pagamentos recebidos pela empresa eram transferidos para a conta de um laranja deste empresário. Este terceiro enviava ainda valores ao agente público responsável pela fiscalização do contrato.

COM A PALAVRA, MÁRCIO TENÓRIO E A PREFEITURA DE ILHABELA

A reportagem busca contato com Márcio Tenório. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA A PREFEITURA DE ILHABELA

“Com relação a Operação Prelúdio II, deflagrada na manhã desta terça-feira (14), pela Policia Federal, a Prefeitura de Ilhabela informa que cumprirá a determinação judicial e colaborará com as investigações.

Também informa que manterá as providências cabíveis para manter os serviços públicos prestados dentro da normalidade.”

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