Prefeita de Ribeirão Preto é investigada em segredo de Justiça

Prefeita de Ribeirão Preto é investigada em segredo de Justiça

Por ter foro privilegiado, Dárcy Vera (PSD) só pode ser investigada em segunda instância e todas as apurações iniciadas em julho de 2015 foram encaminhadas à Corte de São Paulo

Gustavo Porto, de Ribeirão Preto, e Rene Moreira

01 de setembro de 2016 | 17h02

Candidatura de Paulo Skak (do PMDB) para o governo do Estado. Da esquerda para a direita: Paulo Skaf - Gilberto Kassab - Henrique Meireles - Darcy Vera - Michel Temer - Foto: Nilton Fukuda/Estadão

Candidatura de Paulo Skak (do PMDB) para o governo do Estado. Da esquerda para a direita: Paulo Skaf – Gilberto Kassab – Henrique Meirelles – Dárcy Vera – Michel Temer – Foto: Nilton Fukuda/Estadão

A prefeita de Ribeirão Preto (SP), Dárcy Vera (PSD), é investigada pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) em um processo derivado das apurações feitas da Operação Sevandija, investigação sobre fraudes estimadas em R$ 203 milhões em licitações da prefeitura e da Câmara de Ribeirão Preto.

A Polícia Federal (PF) e o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público deflagraram a “Operação Sevandija” nestq quinta-feira, 1.

Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, a investigação corre em segredo de justiça. Por ter foro privilegiado, a prefeita Dárcy Vera só pode ser investigada em segunda instância.

Candidatura de Paulo Skak (do PMDB) para o governo do Estado. Da esquerda para a direita: Paulo Skaf - Gilberto Kassab - Henrique Meireles - Darcy Vera - Michel Temer - 2014 - Foto: Nilton Fukuda/Estadão

Candidatura de Paulo Skak (do PMDB) para o governo do Estado. Da esquerda para a direita: Paulo Skaf – Gilberto Kassab – Henrique Meirelles – Dárcy Vera – Michel Temer – 2014 – Foto: Nilton Fukuda/Estadão

Na operação que apura o desvio de R$ 203 milhões dos cofres municipais em quatro esquemas, a PF e o Gaeco cumpriram nesta quinta mandados de busca e apreensão, um deles na residência da prefeita. Segundo nota divulgada pela advogada de Dárcy, Maria Cláudia Seixas, “a busca e apreensão de documentos na residência da prefeita transcorreu dentro da normalidade”.

Segundo a advogada, Dárcy Vera está em São Paulo ‘acompanhando a filha que presta vestibular’.

O Ministério Público do Estado de São Paulo informou que Dárcy será ouvida nos próximos dias por promotores que acompanham o caso. Já a prefeitura informou que colabora com as investigações

A operação envolveu 250 policiais, 30 promotores em 48 ações. Ao todo, foram 13 mandados de prisão temporária, dos quais 11 foram cumpridos e dois são de empresários que estão no exterior. Entre os presos estão o coordenador do Departamento de Águas e Esgoto de Ribeirão Preto (Daerp), Marco Antonio dos Santos, e o secretário de Educação do municípios, Alfredo Invernizzi.

Nove vereadores dos 21 vereadores de Ribeirão Preto – o presidente da Câmara Municipal, Walter Gomes (PTB), e os parlamentares Samuel Zanferdini (PSD), Evaldo Mendonça, o “Giló” (PTB), Genivaldo Gomes (PSD), José Oliveira, o “Bebé” (PSD), Cícero Gomes (PMDB), Maurílio Romano Machado (PP), Capela Novas (PPS) e Coraucci Netto (PSD) – foram conduzidos coercitivamente a depor na PF e liberados. Todos tiveram seus mandatos suspensos pela Justiça, proibidos de irem a prédios públicos do município e tiveram seus gabinetes lacrados.

A PF informou que durante as buscas realizadas hoje foram encontrados e apreendidos R$ 320 mil em dólares, Euros e Reais, além de 12 veículos de luxo que foram levados para o pátio da polícia enquanto as investigações sobre a origem dos recursos para as aquisições dos automóveis prosseguem. Em um único endereço foram encontrados e apreendidos R$ 160 mil em dinheiro. Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de bens das pessoas envolvidas nos esquemas suspeitos.

A operação, considerada como o maior caso de corrupção da história de Ribeirão Preto, apura fraudes de licitações, contratações irregulares de funcionários e pagamento de propinas para políticos votarem com o governo municipal na Câmara.

Walter Gomes negou problemas envolvendo o Legislativo. “Na Câmara não tem nada. Deve ser na prefeitura.” Samuel Zanferdini disse que é comum indicar pessoas de confiança para cargos, o que “não implica qualquer tipo de ação ilegal”. “Essa investigação vem desde o ano passado e hoje, perto da eleição, acontece isso?”, questionou. Genivaldo Gomes afirmou que foi questionado por policiais sobre votações na Câmara, mas não foi informado sobre a investigação. “Respondi. Agora eles vão falar o que é. Eu não sei.”

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