Precisamos voltar: o setor de beleza pede ajuda e respira por aparelhos

Precisamos voltar: o setor de beleza pede ajuda e respira por aparelhos

José Augusto Ribeiro do Nascimento Santos*

18 de abril de 2021 | 05h30

FOTO: GUILHERME PETRI/UNSPLASH

Vivemos um momento trágico em todo o país: à medida em que a pandemia do novo coronavírus avança e a vacinação da população ainda é um processo lento, os setores voltados para serviços se veem encurralados diante das medidas tomadas por alguns governadores e prefeitos, que determinam, com frequência, o fechamento dos estabelecimentos de setores como o de beleza, bares e restaurantes. Tais medidas ocorrem num cenário também dramático para todo o setor estético: sem poder abrir suas portas desde o ano passado, há mais de um ano, salões de beleza, cabeleireiro, procedimentos estéticos não-clínicos e esmalterias, além de profissionais e demais integrantes do setor, vivem sob terror constante e também respiram por aparelhos.

De acordo com dados de um levantamento feito pela Associação Brasileira de Salões de Beleza (ABSB), 30% dos estabelecimentos tiveram que encerrar suas atividades definitivamente e, caso o cenário não seja revertido imediatamente, este número poderá chegar a 50% até o final do ano. Sem contar que 90% das empresas não conseguem arcar com a sua folha de pagamento, enquanto 73% já estão completamente endividadas. E o que é pior, sem ter a mínima ideia de como poderão arcar com esses compromissos em atraso. Os números são realmente impressionantes e podem colocar em risco a sobrevivência do setor que, hoje, representa 1% do PIB e garante o sustento de mais de duas milhões de famílias, isso de forma direta. Outro ponto que deve ser levantado é que grande parte dos salões encontra-se em shoppings, onde, sabemos que os aluguéis são muito altos e não dão trégua, mesmo em momentos difíceis. Afinal, em tempos difíceis, muitos ainda usam, no cotidiano, o famoso dito popular: “farinha pouca, meu pirão primeiro”.

Por isso, reitero, com veemência: o nosso setor precisa voltar a trabalhar. E, mesmo o fato de o governo federal ter declarado que o serviço que oferecem os salões de beleza é essencial, prefeituras e governos locais não reconhecem isso, o que faz com que muitas pessoas utilizem os serviços de higiene em casa, na clandestinidade e favorecendo a informalidade profissional. Esta estratégia é totalmente desaconselhável, justamente pela falta de controle da saúde dos profissionais, assim como da esterilização de materiais. O resultado? Simples. O risco de contaminação pelo vírus por receber profissionais de beleza em casa aumenta ainda mais.

Logo, precisamos respirar. Desde o início da pandemia, o setor de beleza foi o primeiro a criar um manual de procedimentos para garantir a segurança de seus clientes, incluindo o uso de álcool gel, máscaras, higienização completa do ambiente e esterilização de materiais. Portanto, é extremamente factível que estabelecimentos e profissionais do nosso ramo possam retornar ao trabalho, de forma segura e precavida para todos os envolvidos. Afinal, estamos falando não somente de um setor, mas de profissionais, seres humanos capacitados que precisam e têm o direito de trabalhar. Se por algum período, e não se sabe quanto, viveremos o chamado “novo normal”, é preciso que governantes e setores se mobilizem em prol de todos. Não é justo excluir determinados setores extremamente importantes para a economia, culpando-os por consequências que não cabem aos mesmos. Todos precisam, e devem, estar inseridos num panorama de inclusão, em que consigam caminhar juntos em prol de fazer o melhor para todos.

*José Augusto Ribeiro do Nascimento Santos, presidente da ABSB

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