Precisamos de líderes com tato para transmitir mensagens e as mulheres têm esse perfil

Precisamos de líderes com tato para transmitir mensagens e as mulheres têm esse perfil

Silmara Reis Salles*

25 de fevereiro de 2021 | 03h30

Silmara Reis Salles. FOTO: DIVULGAÇÃO

A gestão feminina vem sendo cada vez mais aclamada, já não é mais tão raro ver uma mulher num cargo de liderança, no entanto, na outra ponta, o reconhecimento não se dá na mesma proporção.

Recente estudo do BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento –, divulgado no Observatório do Governo Brasileiro –  http://www.observatoriodegenero.gov.br/ – mostra que as mulheres latino-americanas ganham menos, mesmo que possuam um maior nível de instrução. Na comparação simples dos salários médios, os homens ganham 10% a mais que as mulheres e o quadro piora quando a comparação envolve homens e mulheres com a mesma idade e nível de instrução, aí essa diferença salta para 17%.

Mas não há como negar que, mesmo sendo um processo lento, essa é uma situação que está mudando, se antes as mulheres não tinham líderes femininas em grandes empresas, como referência para se espelhar, o cenário hoje é diferente. Atualmente temos líderes em companhias de renome mundial, como: Luciana Feres, vice-presidente Global da Danone; Susan Rivetti, chairman da Johnson&Johnson; Flávia Bittencourt, CEO da Adidas Brasil e, dentre várias outras, Vivi Gonçalves, diretora de Marketing da Coca-Cola para a América Latina. Recentemente o Papa Francisco nomeou a advogada Francesca Di Giovanni como Secretária de Estado, é a primeira vez na história que uma mulher ocupa esse cargo no Vaticano.

Como chegar lá? Como é o dia a dia de cada uma? Os degraus são mais altos só por serem mulheres? Na Logan, empresa na qual eu trabalho, existe a  visão o “It ‘s about humans (é tudo sobre humanos)”, que leva em conta o desempenho e não o gênero. Meu dia a dia é igual ao de qualquer homem em cargo de liderança: muito trabalho, muita organização e comprometimento com minha função e meus objetivos. Constantemente tenho reuniões de estratégia de venda com o time; traço planejamento de ações e estou completamente por dentro de tudo que acontece na empresa, pois minha opinião conta para as decisões.

É fato que ainda há uma cultura enraizada em algumas companhias onde só homens podem tomar decisões, onde apenas eles são considerados inteligentes ou aptos para os cargos de liderança, eu claramente não acredito nisso. Para mim, há pessoas inteligentes, sensatas e objetivas independente de gênero. Porém, permanece no universo corporativo um olhar de insegurança do outro por você ser mulher e, por isso, não ser boa o suficiente para estar ali. Como citei anteriormente isso está mudando, é um quadro que está sendo pintado com novas soluções e a liderança feminina cada vez mais ganha um tom de destaque nessa tela. Estamos no caminho. O mundo vem passando por uma transformação muito grande, pessoas quebrando paradigmas, mudando visão, deixando preconceitos de lado.

Os números estão a nosso favor. Matéria publicada em dezembro/21, na Harvard Business Review Brasil – uma das mais respeitadas revistas de gestão empresarial do mundo -, destaca os excelentes resultados da gestão feminina na crise da Covid-19. A revista tinha um levantamento de 2019, feito com 60 mil líderes (22.603 mulheres e 40.187 homens), nele a gestão feminina era significativamente mais positiva que a dos homens. A publicação decidiu então fazer uma apuração de como as líderes se comportavam diante de uma crise com a que estamos vivendo. Nesse novo trabalho foram consideradas as gestões de 454 homens e de 366 mulheres e, novamente, segundo a publicação, as mulheres foram apontadas como líderes mais eficazes, sendo avaliadas de forma mais positiva que os homens em 13 dos 19 pontos que apontam a eficácia da liderança.

É fato que ser uma líder ainda não é uma conquista fácil, por isso eu aponto três pontos cruciais para uma carreira sólida:

  1. Primeiro de tudo: foco! A mulher precisa ter um objetivo para correr atrás e alcançar. Sempre estar antenada, fazer os cursos de atualização, pois num mundo globalizado há novidades todos os dias. Uma líder precisa saber o que está acontecendo.

  2. Muito network também, conhecer pessoas é essencial para um cargo de liderança.

  3. Comprometimento com o trabalho e resultados para que a empresa faça planos para seu crescimento junto aos da própria companhia.

Mulheres são inteligentes, rápidas, ágeis, fazem várias coisas ao mesmo tempo, além de terem como característica a simpatia e a delicadeza para lidar com pessoas. Precisamos de líderes com mais tato para transmitir mensagens e acredito que as mulheres tenham esse perfil. No mundo ideal não deve haver distinção entre sexos para a liderança (ou qualquer outro cargo), os líderes, sejam eles mulheres ou homens, precisam ser participativos, precisam ter suas ideias ouvidas e levadas adiante.

*Silmara Reis Salles, Head of Sales Brasil da Logan

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