‘Precisamos criar uma relação saudável com a riqueza’

‘Precisamos criar uma relação saudável com a riqueza’

Patrícia Cândido*

10 de fevereiro de 2019 | 08h00

Patrícia Cândido. FOTO: DIVULGAÇÃO

Ser rico é sinal de avareza? Corrupção? Ganância? Não! Ser rico é sinal de mente organizada, focada e controle emocional. Pessoas ricas normalmente são mais racionais e gastam seu dinheiro com discernimento de acordo com suas necessidades e não para preencher um vazio emocional.

Corrupção, ganância e avareza são traços de personalidade que independem do patrimônio que a pessoa tem. Existem pobres e ricos com esses traços de personalidade. O dinheiro é apenas um amplificador daquilo que somos em essência. Se uma pessoa é amorosa e altruísta, com dinheiro ela amplifica essas características. Se uma pessoa é gananciosa, avarenta, egoísta, com dinheiro essas características se revelam com mais intensidade, pois o dinheiro é uma energia de possibilidades que aumenta nossa liberdade e nossas escolhas. Por esse motivo, ele amplifica aquilo que somos em essência.

É estatisticamente comprovado que ricos tem maior acesso a tecnologia, saúde, educação formal, terapias, grupos de pessoas em círculos de poder, viagens, interações culturais e conforto. Toda essa acessibilidade descortina um mundo de muitas possibilidades, o que torna a pessoa rica com mais chances de ser feliz; embora o conceito de felicidade é muito abrangente e existem muitas pessoas ricas que são infelizes e insatisfeitas com suas vidas.

Prosperidade na maioria das vezes é um termo distorcido e mal interpretado. A riqueza contempla um estado de abastança monetária, patrimonial. Já a prosperidade está associada a bens tangíveis como dinheiro, propriedades, imóveis, investimentos e intangíveis como saúde, bons relacionamentos, tempo livre, felicidade, alegria e qualidade de vida.

A prosperidade envolve a riqueza em todos os aspectos, físicos e extra físicos, portanto prosperidade é um estado de plenitude, onde a vida segue seu fluxo com leveza. Existem pessoas ricas (que possuem um grande patrimônio) e pessoas prósperas, que além de um grande patrimônio, possuem felicidade e atraem sempre mais coisas boas, como um ímã que captura tudo o que há de bom. Então como a prosperidade seria proibida se ela é um fluxo de energia que abastece a nossa felicidade? Eu acredito que prosperidade é o que todos nós, mesmo que inconscientemente, buscamos.

Em nossas publicações sobre prosperidade existe um diagrama que chamamos de régua da mente. Nesta régua existe uma escala de sentimentos, pensamentos e emoções e como elas nos afetam positiva e negativamente. O fluxo de energia da prosperidade se situa perto dos sentimentos de amor, compaixão, bem aventurança, alegria, felicidade.

Quanto vivemos imersos em sentimentos como raiva, medo, mágoa, tristeza, preocupação, ansiedade, stress e tantas outras negatividades, nos afastamos do fluxo da prosperidade. Se você passa a maior parte do seu dia mergulhado nessa escala de sentimentos densos e negativos, é pouco provável que um dia você encontre a prosperidade.

Riqueza e prosperidade necessitam de reforma íntima, um processo onde compreendemos quais são nossas características negativas e como fazemos para dominá-las ou pelo menos compreendê-las. Sabendo lidar com essas densidades, conquistamos o autoconhecimento, que é o primeiro passo para chegar aos comportamentos das pessoas prósperas: integridade, foco, criatividade, astúcia, e tantos outros.

Todos os estímulos que recebemos desde a nossa gestação, tudo o que escutamos de nossos pais, avós, professores, amigos; tudo o que já assistimos em filmes, novelas, as músicas que escutamos, os livros que já lemos, a educação religiosa que recebemos, formam a nossa base de crenças.

Muitas dessas crenças não são reais; apenas as escutamos e aceitamos como verdadeiras. Muitos ditados populares como “os ricos não entram no céu” ou “dinheiro não dá em árvore” ou “dinheiro é algo sujo”, tudo isso se cristaliza na nossa mente e nos faz acreditar que não somos merecedores da prosperidade.

Nos filmes e novelas, os ricos são os vilões e como não queremos ser os vilões, inconscientemente adotamos uma espécie de “profecia autorrealizadora” de que ser rico não é algo bom. Porém, se você tiver a crença de que ser rico é algo bom e que você vai poder contribuir muito mais com o mundo, um novo mundo se mostra para você.

Crenças limitantes precisam ser identificadas, enfrentadas, examinadas, monitoradas e limpas. Investindo em instrução financeira e separando um tempo diário para se dedicar a sua prosperidade, em pouco tempo as crenças vão se limpando e seu ponto de atração vai se compatibilizando com o fluxo de energia da prosperidade.

Existe uma conspiração invisível que se utiliza dos mesmos elementos em segmentos diferentes para nos escravizar e nos tornar vítimas ao ponto de sustentá-las e abastecê-las.

Chamamos essa conspiração de RPR, pois esses são os três elementos que ceifam a nossa liberdade:

Religião – dentro da conspiração, a religião é a estrutura mais antiga e com maior instrumento de dominação, que é o medo daquilo que está depois da morte, um mistério para toda a humanidade. A estrutura da religião é composta pela dominância através do medo, a promessa de um messias ou salvador que virá lhe salvar pois você não teria condições de cuidar de si mesmo, o que o torna falível, mortal, fraco e incompetente.

A obediência ou temência a Deus, ao sacerdote, à igreja ou templo é uma das formas mais antigas de controlar o ser humano e por isso as religiões tem um forte cunho social, de dominar as massas através do medo do que pode lhe acontecer depois da morte. Quando falamos de religião, não estamos falando de espiritualidade. Entendemos religião como uma estrutura de manipulação criada por seres humanos comuns, e cheios de interesses. Entendemos espiritualidade como um conceito livre, como um estado de espírito, onde cada um escolhe qual é o melhor caminho para encontrar paz para a sua alma, independentemente de ter uma religião ou não.

Política – a política veio um pouco depois da religião, mas entendeu que se usasse a mesma estrutura poderia tolher a liberdade das massas para dominá-las, também com a promessa de um político salvador que vai resolver todos os problemas da população. É muito visível na época das campanhas políticas que o candidato da situação, fala apenas dos projetos que realizou e onde serão os próximos investimentos caso seja reeleito.

Já o candidato da oposição investe seu tempo em criticar o governo atual e discursar sobre ser o novo salvador que resolverá todos os problemas. Mais uma vez e como a religião, a estrutura política vê o homem comum como um fraco que precisa de um salvador.

Remédios – a indústria farmacêutica também se deu conta do poder que tinha em suas mãos, porque a saúde é um dos aspectos mais importantes da nossa vida. Existe uma pesquisa séria e muito recente que diz que somente 7% dos remédios produzidos no mundo são necessários. Os outros 93% pertencem a uma demanda criada para girar as rodas da economia farmacêutica, que investe bilhões e bilhões de dólares em pesquisas para que anualmente novas doenças e níveis de doenças sejam criados para abrir novas oportunidades de mercado. Mais uma vez a indústria farmacêutica vem nos salvar, porque somos incapazes de gerir a nossa própria saúde.

E existe um quarto fator que alimenta essa conspiração; a mídia, que nos envenena diariamente, que nos faz sentirmo-nos fracos, incompetentes, falíveis e que nos estimula a consumir conteúdos baseados na escassez, na dor e em sentimentos negativos que derrubam a nossa energia vertiginosamente. Raramente depois de assistir um noticiário ficamos felizes e contentes. Normalmente ficamos tensos e preocupados.

Prosperar e enriquecer tem muito mais ligação com um comportamento específico, do que com sorte, oportunidades ou heranças. O comportamento das pessoas prósperas é que define sua situação de riqueza. Abaixo alguns comportamentos das pessoas prósperas:

1. Integridade – agir de acordo com a sua verdade, ser honesto consigo mesmo;
2. Agir de forma condizente com a prosperidade, ter atitude de pessoas prósperas;
3. Criar oportunidades;
4. Libertar-se das dúvidas;
5. Ficar atento aos sinais que a vida dá;
6. Assimilar as críticas com maturidade;
7. Estar animado na maior parte do tempo;
8. Sentir-se bem na maior parte do tempo;
9. Exercer a prática da gratidão;
10. Ser tolerante e paciente;
11. Ter organização e planejamento;
12. Controlar os impulsos de compra;
13. Praticar a gentileza;
14. Admirar o sucesso das outras pessoas.

*Patrícia Cândido, filósofa, escritora, professora e palestrante. CEO e Cofundadora da Instituição Luz da Serra

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