Precisamos combater o racismo

Precisamos combater o racismo

Ernesto Puglia Neto e Frederico Afonso Izidoro*

16 de fevereiro de 2021 | 06h25

Ernesto Puglia Neto e Frederico Afonso Izidoro. FOTOS: DEFENDA PM/DIVULGAÇÃO

No último dia 9, o tenente-coronel da Polícia Militar do Estado de São Paulo Evanilson Correa de Souza foi agredido durante evento organizado pela Universidade de São Paulo (USP) e transmitido ao vivo pela internet. Durante a palestra “A estruturação do programa de combate ao racismo desenvolvido pela Polícia Militar do Estado de São Paulo”, ele foi alvo do mesmo racismo que pretende combater. A transmissão foi hackeada, e sobre os slides que ele exibia, foi escrita a palavra “macaco”.

Quando um policial militar é vítima de agressão, são raras as demonstrações de solidariedade. O comum são as manifestações de pessoas que até cumprimentam o criminoso com frases do tipo “bem feito, a PM é racista, ele teve o que mereceu”. Só que, neste caso, a agressão transcende o policial.

O tenente-coronel Souza é negro, sofreu agressões racistas ao longo de sua vida. Por sua capacidade ímpar de tratar do assunto, foi escolhido pela Polícia Militar para coordenar a revisão dos protocolos da PM para atendimento ao público, o “Manual de Direitos Humanos e de Cidadania aplicado à Atividade Policial”.

Como o próprio Souza afirmou recentemente, em entrevista a um portal de notícias, “o negro tem pressa porque é muito tempo sofrendo a mesma coisa. O racismo está enraizado nas pessoas histórica e culturalmente e elas não percebem isso”.

O que aconteceu no evento da USP foi lamentável. Ver uma atitude dessas ser perpetrada contra um negro, em qualquer circunstância, já é aviltante. Mas, quando acontece contra quem quer mudar o status quo, nos faz perder ainda mais a esperança de que o mundo possa ser modificado para melhor.

Quem quer que tenha agido criminosamente contra o tenente-coronel Souza, contra todos os negros e contra todos os policiais militares, deverá sentir o peso da justiça. Não somente pelo crime que cometeu, mas pelo que representa atacar os que querem melhorar o mundo à sua volta. Quando se trata do racismo e discriminação, não bastam proibições, é preciso desenvolver políticas públicas que garantam a inclusão social de todos. E, aqui, devemos usar a interpretação que o Supremo Tribunal Federal deu ao tema, englobando praticamente toda a forma de discriminação nesse crime tão vil e nefasto à sociedade.

A Defenda PM, Associação de Oficiais Militares do Estado de São Paulo em Defesa da Polícia Militar, presta sua solidariedade e apoio ao tenente-coronel Souza e a todas as vítimas de racismo, e reforça que não adianta ficarmos somente na indignação. Precisamos corrigir aqueles que não conseguem enxergar que as diferenças servem apenas para mostrar que devemos ser respeitados como indivíduos para termos uma vida coletiva harmoniosa.

Que eventos como esse nos inspirem a agir de forma enérgica contra todos os que não consigam coexistir com quem é diferente de si. É preciso agir contra toda forma de discriminação.

*Ernesto Puglia Neto, doutor, mestre e bacharel em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública. Especialista em Direitos Humanos, coronel da reserva da Polícia Militar de SP e secretário-geral da Associação dos Oficiais Militares do Estado de São Paulo em Defesa da Polícia Militar, a DEFENDA PM

*Frederico Afonso Izidoro, mestre e bacharel em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública. Pós-graduado em Direitos Humanos, Gestão de Políticas Preventivas da Violência, Direitos Humanos e Segurança Pública, e Direito Processual. Major da Polícia Militar de SP e associado da DEFENDA PM

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