Pós-pandemia: gestão de riscos proativa é o novo normal para todas as empresas

Pós-pandemia: gestão de riscos proativa é o novo normal para todas as empresas

Fabio Bastos*

15 de novembro de 2020 | 04h00

Fabio Bastos. Foto: Divulgação

Passado o momento mais crítico da pandemia, mas ainda com muitas incertezas no cenário futuro, as empresas têm valorizado e reforçado, cada vez mais, seus mecanismos e planos de gestão de riscos. Para algumas companhias, as que atuam em mercado regulado e/ou listadas na Bolsa, a gestão de riscos é uma exigência regulatória. Todavia, a pandemia, com seus impactos e desdobramentos, confirmou que a gestão de riscos é essencial para toda e qualquer empresa que visa melhorar sua performance e tomar decisões de maneira mais assertiva e tempestiva.

O impacto causado pela Coronavírus foi expressivo e, por isso, a retomada está demandando novas formas, processos e iniciativas, e estas expõem as empresas a novos riscos. Tendo em vista que as reservas financeiras e linhas de receitas, na maioria das empresas, foram dragadas pela pandemia, a retomada sem uma gestão de risco proativa pode significar a extinção do negócio.

Por isso, a palavra de ordem ‘Aprender com os erros!’ sugere um viés reativo de gestão de risco e, de fato, as empresas comumente tratavam as consequências causadas pela materialização de riscos e, posteriormente, definição de ações mitigatórias para se evitar reincidências. Com a pandemia (Novo Normal), a palavra de ordem passa a ser ‘Antever os erros!’, ou seja, o viés é de protagonismo, de liderança, de responsabilidade na gestão de riscos, o que requer disciplina, reflexão e ação conjunta voltada a colaborar com os resultados dos negócios. Com o atual cenário, as organizações estão no limite e há pouca margem para suportar reincidências de erros e eventos negativos.

O grande perigo de não se ter um plano de gestão eficaz é ser surpreendido pela ocorrência de um risco inerente significante e não possuir capacidade de reação, podendo ocasionar a interrupção parcial, ou mesmo total, do negócio. O desconhecimento detalhado das rotinas operacionais também foi, e ainda é, um grande ofensor à retomada das atividades em muitas empresas, pois a efetividade das novas rotinas depende muito do conhecimento apurado do que já se faz, do cenário presente do que se quer mudar, recuperar ou mesmo sofisticar.

Como já se sabe, com a pandemia, todos os setores foram afetados. A meu ver, a diferença notada entre as empresas está no nível de maturidade dos processos e dos modelos de gestão. Digo isso, porque mesmo nos segmentos menos impactados com as novas necessidades impostas pelo Coronavírus, como por exemplo o segmento de alimentação, nem todos os negócios estavam adaptados ou se adaptaram para um cenário de agravamento de risco de interrupção, que exigiu abordagens mais digitais e mais conectadas com os clientes.

Por isso, a partir de agora, é essencial que as empresas pensem sobre suas estratégias, seus riscos de negócio, e avaliem seus planos de gestão, incluindo os de continuidade dos negócios, desenvolvendo iniciativas e planos de ações para desempenho de atividades em um cenário mais complexo e incerto, ou seja, de maior risco.

*Fabio Bastos é sócio da área de Risk Advisory Services (RAS) da consultoria RSM Brasil (ACAL)

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