Portaria do condomínio da mulher de Cabral tem ‘caixa de papelão vermelha’ para celular

Portaria do condomínio da mulher de Cabral tem ‘caixa de papelão vermelha’ para celular

PF fez buscas em apartamento no Leblon, no Rio, onde reside Adriana Ancelmo, em prisão domiciliar e proibida de ter acesso à internet ou telefone

Julia Affonso

11 de maio de 2017 | 05h00

Adriana Ancelmo. Foto: Reprodução

A Polícia Federal chegou à casa da advogada Adriana Ancelmo, mulher do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), às 6h05 do último dia 24 de abril. A ex-primeira-dama está em prisão domiciliar na operação Calicute, desdobramento da Lava Jato, no Rio. A vistoria terminou por volta das 7h.

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Os agentes fizeram buscas no apartamento de Adriana Ancelmo, no Leblon, no Rio, para verificar se havia algum celular ou equipamento de comunicação. A ausência de sinal de internet e de telefone é condição para a mulher de Sérgio Cabral cumprir prisão domiciliar.

Segundo a PF, ‘a entrada da equipe foi liberada de imediato pelo porteiro’ e Adriana ‘acompanhou toda a diligência e durante a vistoria nenhum celular ou outro equipamento de comunicação foi encontrado’. Também estavam presentes as funcionárias que trabalham no apartamento e os filhos de Adriana e Sérgio Cabral.

“Na portaria foi verificada uma caixa de papelão, da cor vermelha, com celulares dos empregados, visitantes e filhos do apartamento 401. Assim como, um livro preto contendo nome, data, telefone, identidade e horário da visita. Os fios do interfone do apartamento continuam cortados, logo, não há comunicação com a portaria”, afirmou a PF em relatório enviado ao juiz federal Sérgio Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio.

Adriana foi presa em dezembro do ano passado. O Superior Tribunal de Justiça (STF) converteu em 24 de março a prisão preventiva da ex-primeira-dama do Estado em domiciliar, restabelecendo ordem do juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal, do Rio. A decisão de Bretas havia sido cassada pelo desembargador Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2).

O magistrado da 7ª Vara Federal havia concedido a prisão domiciliar com base no Estatuto da Primeira Infância, que alterou o Código de Processo Penal (CPP) e estabeleceu que presas com filhos menores de 12 anos podem ter a custódia preventiva transformada em domiciliar. Adriana tem um filho de 11 anos, além de outro de 14.

Pela decisão de Bretas, de 17 de março, Adriana Ancelmo ficaria autorizada a cumprir prisão em casa, mas sem acesso à internet e telefone. Ao restabelecer a ordem de Bretas, o STJ manteve as condições do juiz da 7ª Vara Federal do Rio. A interrupção dos serviços de telefonia e internet precisaria ser comprovada por agentes da Polícia Federal antes de Adriana ir para prisão domiciliar.

Em 26 de abril, a Primeira Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) decidiu mandar a ex-primeira dama. Adriana Ancelmo, no entanto, continua presa cumprindo domiciliar até o julgamento de todos os recursos do processo.

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