Por que os profissionais do futuro estão nas fintechs?

Juliano Rodrigues*

13 de julho de 2021 | 04h30

O ano de 2020 proporcionou protagonismo para as fintechs e o primeiro semestre de 2021 acompanhou essa tendência. Somente no ano passado, mais de US$44 bilhões foram investidos no setor ao redor do mundo, e o Brasil foi o quinto país que mais atraiu esses investimentos. Por isso, o mercado de trabalho das fintechs se tornou extremamente atraente para profissionais que buscam oportunidades de inovar, aprender e acompanhar o ritmo acelerado de mudanças que o ambiente de startups costuma oferecer.

Contudo, é importante, tanto para profissionais em início de carreira quanto para quem já está consolidado, compreender o perfil que as fintechs buscam para compor seu quadro de colaboradores. O ambiente aquecido exige, entre outras coisas, uma capacidade de atuar com autonomia para desenvolver projetos e agilidade para acompanhar as necessidades de uma sociedade cada vez mais veloz e digital. Se até recentemente as estruturas hierárquicas representavam restrições ao trabalho, hoje as empresas mais horizontais facilitam a tomada de decisão.

Outra característica que se conecta diretamente ao dinamismo que permeia os negócios é a adaptabilidade e resiliência. As empresas entendem que a mudança constante de cenário pode apresentar desafios de diferentes naturezas ao longo do trabalho, e a capacidade de se adaptar a novas circunstâncias é vista como uma fortaleza. Essa adaptabilidade leva a uma outra característica, muito comum entre profissionais de startups e fintechs, que é o desejo de inovar, independentemente da função ou senioridade. A inovação é fator fundamental e inerente aos negócios das empresas que nasceram em um ambiente digital. Sem essa mentalidade, é muito difícil que um profissional se encaixe à rotina e cultura de uma fintech.

Ter iniciativa, com viés para ação e realização, é uma mentalidade, ou mindset – no léxico das startups – que faz diferença entre os profissionais que têm sucesso nesse ambiente e os que não se enquadram nessa dinâmica. Muitos líderes, por exemplo, estão acostumados a direcionar seus times, mas não a realizar os projetos. No modelo de trabalho colaborativo que predomina nas fintechs, esse paradigma é quebrado e os profissionais devem estar dispostos a passar por uma desconstrução de conceito. Essa é uma característica presente em “lifelong learners”, que são os profissionais que dão prioridade ao aprendizado contínuo.

Ainda, para as empresas modernas, o aprendizado contínuo passa não somente pelas características profissionais, mas também pela capacidade de compreender a comunidade em que a empresa atua e a evolução da sociedade como um todo. Por isso, cada vez mais é importante que empresas e colaboradores saibam que a diversidade não é somente uma obrigação que responde aos valores de uma sociedade mais inclusiva, mas também um fundamental diferencial de negócios e times multidisciplinares, que ajuda as fintechs a se adaptarem às necessidades em constante evolução de seus públicos.

O mercado continua aquecido, muitas fintechs estão buscando profissionais que possam ajudar as companhias rumo ao futuro e as contratações passam não somente pela revisão de currículo, mas pela avaliação de capacidades. É o momento ideal para profissionais se permitirem testar novas empresas com modelos de trabalho modernos, usufruir de uma estrutura mais horizontal e, com isso, potencializar suas competências e desenvolver suas capacidades.

*Juliano Rodrigues, vice-presidente de Recursos Humanos na RecargaPay

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