Por que o setor de papel deve ter otimismo cauteloso em 2021

Por que o setor de papel deve ter otimismo cauteloso em 2021

Júlio Jubert Caiuby Guimarães*

29 de janeiro de 2021 | 03h30

Júlio Jubert Caiuby Guimarães. FOTO: DIVULGAÇÃO

Quando analisamos os números do setor de papelcartão neste ano tão imprevisível que tivemos, temos motivos para otimismo, ainda que cauteloso. A expedição de papelcartão (todo o volume produzido ou importado no Brasil, excluídas as vendas externas) fechou o ano de 2020 com alta de 6% acima do volume de 2019 – ante uma queda projetada de mais de 4% no PIB nacional como um todo no mesmo período. A grande diferença, de 10 pontos percentuais, parece dizer muito sobre as mudanças de hábito da população brasileira.

Ao longo de 2020, entre março e junho, a indústria sofreu grandes perdas. A retomada, porém, durante o segundo semestre, foi excelente para os três elos de nossa cadeia produtiva: o fabricante de papelcartão, o convertedor gráfico e o brand owner. Podemos dizer que tivemos dois anos muito diferentes dentro de um único: metade desafiador, metade muito positivo.

Com a baixa de estoques e a consequente retomada, todos entraram em uma espiral de atendimento emergencial de pedidos – e ainda estamos nela. Com isso, nosso comitê diário de gestão de crise tornou-se, nos últimos dois meses, comitê de “gestão de abastecimento”, que acompanha a demanda e oferta de insumos.

De onde vem todo esse crescimento? Além das reposições de estoque, percebemos que os setores de alimentação, farmacêuticos, higiene pessoal e higiene do lar foram aqueles que mais alavancaram a alta no consumo, somados à contribuição do maior volume de vendas digitais de maneira geral (e-commerce). O consumidor está mais em casa, avalia melhor suas compras e experiencia mais tudo aquilo que adquire.

E agora, num cenário de extrema pressão de preços, o que podemos esperar para 2021? Num otimismo contido, podemos projetar nova alta no consumo de papelcartão, algo em torno de 3,5%.
Entre os principais impactos a enfrentar, devemos destacar a inflação dos insumos e o próprio impacto de câmbio, que, isoladamente, trouxe alta de mais de 30% nos preços, com destaque para celulose e produtos químicos que integram a cadeia produtiva do papel.

Na ponta do usuário final, vemos o novo ano como a confirmação de uma tendência nos hábitos de consumo: “o lar é o novo centro de convívio”, dizem as melhores consultorias. Se até mesmo o setor imobiliário já sente essa transformação, com a demanda por casas e apartamentos maiores e mais aconchegantes, sem falar na inclusão do home office na estrutura de cômodos e móveis, o que dizer da alimentação, que voltou a ser realizada em casa?

Com isso, as embalagens necessárias são outras: práticas e que evitem o desperdício, alinhadas a um consumidor mais consciente, que busca a troca do plástico pelo papelcartão, seja em alimentos, bebidas ou produtos de higiene e limpeza, tendo em vista a reciclabilidade.

No e-commerce, da mesma forma, a tendência são embalagens resistentes, mas que conversem com o público – e chamem para a experiência com a marca, rumo à próxima compra.

Por outro lado, sabemos que, em algum momento em 2021, o mercado interno deve sofrer algum desaquecimento por conta da recomposição de estoques de toda a cadeia produtiva – podemos apenas estimar essa inversão para algum momento entre abril e maio.

Seja quando for, nosso otimismo, ainda que cauteloso, se baseia nos números do setor e no sentimento que recebemos do consumidor, sempre em busca de mais qualidade tanto em seus produtos quanto nas embalagens que os acondicionam.

*Júlio Jubert Caiuby Guimarães é diretor comercial da Ibema Papelcartão

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