Por que o mês do orgulho LGBTQIA+ nos dá a oportunidade de falar sobre amor e vida nas empresas?

Por que o mês do orgulho LGBTQIA+ nos dá a oportunidade de falar sobre amor e vida nas empresas?

Liliane Rocha*

29 de junho de 2020 | 09h00

Liliane Rocha. Foto: Divulgação

Hoje, acordei pensando nisso: Cada vez que falamos sobre a famosa sigla de letrinhas LGBTQIA+, estamos trazendo uma nova narrativa de amor e vida para a história das empresas. Há apenas alguns anos, a única narrativa relacionada a amor e família que conhecíamos, representávamos e sobre a qual dialogávamos dentro das grandes empresas era a heteronormativa. Ao falar disso, posso até escutar aquela vinhetinha de filmes ou então me recordo de alguns comerciais retratando um homem e uma mulher, enfim a família dos sonhos de muita gente e por consequência uma história feliz para sempre.

A família dos sonhos de muita gente, não de toda a gente! Assim, há um certo tempo começamos a falar sobre GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes), com o intuito de trazer uma ampliação do entendimento da diversidade sexual. Desde então, nunca mais paramos.

Hoje, falamos de LGBTQIA+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Queer, Intersexuais, Assexuais, e o sinal gráfico + que representa todas as ramificações da diversidade sexual), trazendo cada vez mais riqueza, profundidade de entendimento e vivência da diversidade sexual dentro das grandes empresas.

Com isso, podemos falar de sexo biológico do nascimento, orientação sexual, identidade de gênero e expressão, compreendendo melhor sobre um tema que faz parte da natureza da vida, mas que é tão fortemente considerado tabu na sociedade brasileira, e que ainda somente na fase adulta, e trabalhando nas grandes empresas, vamos ter a oportunidade de conversar a respeito.

Homens que gostam de homens, mulheres que gostam de mulheres, homens e mulheres que gostam de homens e mulheres. Pessoas que foram designadas como homens no nascimento, mas em sua identidade, essência e vida são mulheres. E pessoas que foram designadas como mulheres no nascimento, mas em sua identidade, essência e vida são homens, ou seja, falamos sobre pessoas Transgênero.

Pessoas que em termos de órgão sexual no nascimento, ou genitália, são homens e mulheres pelo seu sexo biológico do nascimento. Também aquelas que nascem com ambos os sexos, as Intersexuais, que é também sexo biológico do nascimento. As pessoas também podem ser Queers, ou seja, não se identificar com o binarismo estruturante da sociedade, baseado no masculino e no feminino.

Até aqui, sutilmente, descrevi as letrinhas que compõem a sigla LGBTQIA+ da forma mais natural possível, pois gostaria que o leitor entendesse que falar sobre diversidade sexual nas empresas é falar sobre amor. É reforçar que todos podem falar de suas famílias, sobre quem amam, sobre poder levar o marido ou a mulher às festas de final de ano da empresa, ou mesmo sobre poder cuidar da sua família, fazendo a inclusão homoafetiva para acesso ao convênio médico.

Sabemos que a vida pessoal é parte importante da vida dos profissionais, assim como o bem-estar no mundo do trabalho. Por isso romper com antigos tabus e conseguir ter conversas claras e construtivas sobre sexualidade humana é imprescindível.

Quando chegamos às empresas já somos adultos, sabemos muito sobre a vida, entendemos sobre como paqueras, casais, famílias ocorrem no dia a dia da sociedade, como a vida pessoal impacta a vida do trabalho, e sobre a importância de equilibrar o trabalho e vida pessoal.

Por isso, não temos que fugir dessa conversa. Muito pelo contrário, iniciar essa conversa nas empresas certamente vai deixar a rotina mais leve, simples e inclusiva para todos.

*Liliane Rocha é CEO e Fundadora da Gestão Kairós, consultoria especializada em Sustentabilidade e Diversidade

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