Por que é tão importante se vacinar contra a gripe?

Por que é tão importante se vacinar contra a gripe?

Cláudia Murta*

21 de maio de 2019 | 08h00

FOTO: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO

Ficar resfriado não é nada agradável. Nariz entupido, coriza, espirros, dor no corpo e desânimo são os sintomas mais comuns. No entanto, ficar enfermo dessa forma nem se compara com as sérias complicações que uma gripe pode causar. A principal diferença entre gripe e resfriado está em sua gravidade. A gripe pode evoluir com sérias complicações, como a pneumonia e a inflamação dos músculos cardíacos e da membrana que recobre o coração.

Os primeiros alvos da campanha de vacinação contra a gripe (influenza) promovida pelo sistema público de saúde foram as crianças e gestantes. Em um segundo momento, desde o dia 22 do mês passado, também puderam se vacinar os trabalhadores da área da saúde, povos indígenas, mulheres no puerpério, idosos a partir dos 60 anos, professores, pessoas portadoras de doenças crônicas e com outras categorias de risco clínico e a população carcerária, incluindo os funcionários do sistema prisional.

A vacina protege o paciente dos tipos de vírus mais comuns que estão em circulação. Ao ser vacinado, o indivíduo desenvolve uma proteção, que não permite que ele desenvolva a doença pelos vírus contidos na vacina. Ressalto que a vacina começa a oferecer proteção após 15 dias de sua aplicação e ela não causa gripe, pois é feita com vírus inativado (vírus morto).

Os sintomas principais da gripe são febre alta, dor muscular, dor de garganta e de cabeça, coriza e tosse seca, segundo o Ministério da Saúde. Além desses sinais, é possível que o paciente tenha a sensação de cansaço, fraqueza, diarreia, vômitos e perda de apetite. Em casos de complicações, pode ser necessária internação hospitalar, dependendo da gravidade, a doença pode até mesmo levar ao óbito.

A principal complicação da gripe é a pneumonia. Caracterizada por ser uma infecção nos pulmões, se a pneumonia não for tratada rapidamente, pode gerar sérios problemas, como a dificuldade de respirar, bacteremia (bactérias na corrente sanguínea) e derrame pleural (acúmulo de líquidos em torno dos pulmões.

Acredito que é preciso disseminar as informações corretas a respeito da vacina contra a gripe, pois ainda há muitas inverdades sendo ditas. Ela não é capaz de provocar a gripe em pessoas que a recebem; e ela não faz mal ao bebê, em casos de gestantes. É preciso deixar claro também que a vacina protege o indivíduo de contrair a gripe, e não o resfriado. Outro ponto importante a se destacar é o de que a ciência já descartou qualquer tipo de ligação entre vacina e autismo.

A vacina tem que ser tomada anualmente, pois o vírus Influenza está em constante mutação. Sendo assim, uma equipe de cientistas move esforços todos os anos para que seja feita a adaptação da composição da imunização. Pessoas que não constam na lista de prioridades de vacinação do governo e que desejem se proteger contra a gripe (e evitar suas complicações), podem ser vacinadas em clínicas de vacinação particulares.

*Cláudia Murta, infectologista da Clínica Maximune e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia e Sociedade Brasileira de Imunizações

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