Por que as pessoas têm medo de investir?

Por que as pessoas têm medo de investir?

Daniel Abrahão*

09 de março de 2021 | 04h00

Daniel Abrahão. FOTO: DIVULGAÇÃO

Em 2020, o tema de investimentos foi considerado destaque nos veículos de comunicação e nas redes sociais. Como consequência, as pessoas começaram a se interessar pelo universo do mercado financeiro, ao enxergarem uma possibilidade de rentabilizar o dinheiro que elas guardavam na poupança, por exemplo.

De fato, o brasileiro ainda tem medo de investir, mas não podemos colocar a culpa nas pessoas, pois os motivos que levam a ter esse receio começam pela desinformação e pelo patamar de juros brasileiro no passado. Se em 2019 a taxa de juros no Brasil era superior a 6,50% ao ano, próximo do que foi visto até então como mínimas históricas, é importante lembrar que chegou a patamares de 45% em 1999, 26,50% em 2003 e 14,25% em 2016.

Taxas tão elevadas fizeram com que os investidores brasileiros estacionassem no tempo em relação a buscar outras modalidades de investimentos. Podemos dizer que esses investidores foram apelidados de órfãos da Renda Fixa. Por outro lado, atualmente, estamos vivenciando o período de menor taxa da história, com a taxa em 2% ao ano. Consequentemente, um investimento tradicional como o CDB atrelado à taxa de juros, que tinha uma rentabilidade em alguns casos de dois dígitos ao ano, hoje pode ser insuficiente para superar a inflação.

Outros pontos prejudicam essa confiança, como a dependência do monopólio dos veículos de investimentos pelos bancos tradicionais brasileiros, o que também vem mudando. A XP e os assessores de investimento, por exemplo, têm ampliado de forma massificada o conhecimento sobre o mercado financeiro, simplificando o entendimento sobre como funciona o mercado.

Para exemplificar esse cenário imagine a seguinte situação: quando qualquer um de nós procura um médico, esse profissional que estudou mais de 10 anos nos receita um remédio, ou até faz um encaminhamento para um procedimento cirúrgico, se for o caso. São raras as vezes que contestamos esse profissional, porque acreditamos que o médico tem a capacidade técnica muito superior à nossa, aceitamos a recomendação e seguimos com o tratamento.

Isso vale também com os assessores de investimento. É preciso procurar um especialista sobre o tema, alguém capaz de nos dizer quais são os próximos passos que devemos tomar e as melhores alternativas para cada caso e perfil de investidor.

A falta de informação

Vale ressaltar que o brasileiro não é ensinado desde cedo como deve gerir seu patrimônio. Isso vem de uma lacuna na educação financeira no país, uma matéria fora da grade das escolas que acaba se estendendo e refletindo na vida adulta.

As fraudes também compõem esse leque do medo por parte do investidor, muitas vezes associados a falta de informação e eventualmente a uma necessidade de ganhos imediatos sem o conhecimento necessário. Os números apresentados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostram que existe um número cada vez maior de pessoas que caíram em golpes de investimentos ilegais. As soluções são relativamente simples: a busca por conhecimento e a ajuda de profissionais qualificados.

Crescimento de Pessoa Física na B3

Atualmente, temos 3.229.318 CPFs cadastrados na bolsa de valores brasileira, a B3. Isso mostra um crescimento forte de pessoas interessadas em investimentos. Porém, vale uma ressalva importante, a busca pelos melhores investimentos não está associada a uma procura pela categoria de risco, como ações de empresas listadas na bolsa. O melhor investimento é aquele que reflete adequadamente o perfil do investidor, sem seguir fórmulas mágicas.

A perda do medo de investir não está associada a busca de ativos de riscos, quando o perfil do investidor pode não suportar perdas e grande volatilidade. Existem diversas possibilidades na melhoria do portfólio, inclusive por opções conservadoras e renda fixa. Esse não é mais o caso da poupança, investimento popular durante muitos anos mas que atualmente está fora da lista de alternativas rentáveis.

Em 2019, o movimento de investidores pessoa física em busca de outras opções financeiras disparou por dois motivos:

1) A queda da taxa de juros, como dito anteriormente, pressionou o investidor conservador acostumado à rentabilidade de dois dígitos ao ano, a buscar novas alternativas de diversificação.

2) E o segundo ponto foi uma melhora, mesmo que ainda haja muito a percorrer, na familiarização dos investidores individuais com a dinâmica da bolsa, impulsionado pela maior popularização das portas de entrada para o universo dos investimentos.

Números oficiais mostram que o crescimento de contas ativas de 2018 para 2019 foi superior a 100%. Já de 2019 para o ano passado teve um aumento de 92%, números muito maiores do que o observado em anos anteriores. Além disso, há indicativos de que esse total só tende a crescer nos próximos meses.

Investir não é só para quem tem dinheiro

O acesso ao investimento é algo democrático. É possível iniciar com R$ 100,00 em fundos de investimentos pós-fixados, ações: brasileiras, estatais, small caps, americanas, de tecnologia global e chinesas, entre outras. Além do mercado cambial de dólar e euro, na inflação curta e geral, empresas com impacto social, ouro, fundo imobiliário, setor da saúde, lideranças femininas, entre outras opções.

Com a ajuda de um profissional certificado do mercado financeiro, como um assessor, inicie seus investimentos e conte com a ajuda de um especialista, tenho certeza de que o seu medo de investir irá se transformar em conhecimento, facilitando a sua vida financeira.

*Daniel Abrahão é assessor de investimentos e sócio da iHUB Investimentos

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