Por que apostar em Blockchain?

Por que apostar em Blockchain?

André Barros*

12 de outubro de 2019 | 05h00

André Barros. FOTO: DIVULGAÇÃO

Já parou para pensar na burocracia para fazer uma transação entre a Argentina e a Malásia, por exemplo? Por anos, pensamos que a relação entre países localizados em áreas opostas seria quase impossível, mas, com o advento da tecnologia, o cenário se transformou por completo. Hoje, graças ao blockchain, a desburocratização dos processos e a agilidade nesse tipo de negociação devem mudar as formas dos países se relacionarem.

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Contrato em blocos

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Ainda sobre o exemplo da Argentina e Malásia, em 2018, o banco HSBC, em conjunto com o holandês Dutch ING, foram pioneiros na transação de comércio internacional contando apenas com o blockchain, intermediando a comercialização de um carregamento de soja entre os dois países. Se voltarmos alguns anos, uma operação deste nível seria altamente burocrática e morosa.

Dessa forma, ao aplicarmos essa tecnologia no comércio exterior, encontraremos facilidade em lidar com o volume das operações, redução significativa de tempo, além da diminuição do risco envolvido. O blockchain viabiliza, com segurança, transações financeiras, compartilhamento de informações entre diversas nacionalidades, concisão na elaboração de documentos, operações logísticas e entre outras. Os benefícios logo são vistos pelo importador e/ou exportador.

Pensando nisso, separei as três principais vantagens do blockchain, tanto no mercado de comércio exterior quando em outras vertentes: 

  1. Os níveis de confiabilidade nos processos aumentam com essa tecnologia. Através dela, é possível ter bancos de dados descentralizados, evitando possibilidades de fraudes ou acesso indevido às informações. Isso acontece por conta da cadeia de blocos, que criptografa qualquer dado trocado;
  1. A tecnologia blockchain pode ser acessada em qualquer lugar e, além disso, possibilita a migração de contratos impressos que necessitam da assinatura de várias partes. Os contratos de blockchain são automatizados e inteiramente digitais, protegidos por criptografia. Com isso, é possível extinguir calhamaços de papéis, colaborando com o meio ambiente e dialogando com o atual cenário do mercado;
  1. O modelo trustless trust, ou confiança sem confiança – em português, tira a necessidade de se ter um intermediário nas transações financeiras. Isso significa que as operações não necessitam de uma terceira parte envolvida, como, por exemplo, os bancos. No dia a dia, entre a emissão e o recebimento de determinada transação, há a figura de uma instituição financeira. Com o blockchain, isso não é necessário, envolvendo apenas as duas partes fundamentais para a negociação.

Por fim, ressalto que precisamos continuar estimulando melhorias e evoluções no comércio exterior brasileiro. Além do blockchain, existem outras formas de se aprimorar os processos de importação e exportação. Ao impulsionarmos o uso de tecnologia em nossas companhias, estaremos, por consequência, aprimorando nossos serviços, resultados e, principalmente, o talento de nossos colaboradores.

*André Barros é CEO da eCOMEX – NSI

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