Por que a Promotoria quer Garotinho atrás das grades

Por que a Promotoria quer Garotinho atrás das grades

Leia o pedido do Ministério Público à Justiça para decretação da custódia preventiva do ex-governador do Rio por supostas ameaças a uma testemunha da Operação Chequinho

Fábio Grellet e Luiz Vassallo

05 de junho de 2017 | 05h00

Anthony Garotinho. Foto: Wilton Júnior/Estadão

O promotor de Justiça Leandro Manhães, do Ministério Público do Rio, acusa Anthony Garotinho (PR) de ameaçar uma testemunha da Operação Chequinho – investigação que atribui ao ex-governador fluminense fraudes na eleição do município de Campos dos Goytacazes, norte do Estado. Manhães pediu a prisão preventiva de Garotinho.

Outra acusação do promotor é que Garotinho estaria usando seu blog para atacar testemunhas ainda não ouvidas no processo. Caberá ao juiz da 100.ª Zona Eleitoral, em Campos, decidir pela prisão ou não de Garotinho. Em novembro passado Garotinho foi preso nesse mesmo processo, mas conseguiu um habeas corpus.

A suposta ameaça foi relatada pela radialista Elizabeth Gonçalves em depoimento à polícia em maio. Elizabeth trabalhou na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social de Campos e foi presa em outubro de 2016 acusada de participar de um esquema de compra de votos por meio do programa assistencial.

No dia 8 de maio, Elizabeth procurou a Polícia Federal para denunciar as ameaças que disse ter sofrido.

COM A PALAVRA, ANTHONY GAROTINHO

Em nota, Anthony Garotinho afirmou que ‘o promotor Manhães, mais uma vez, tenta se colocar acima da lei’: “O papel de censor de opinião já foi revogado junto com a ditadura. Se o promotor quer voltar a exercer a indigna função de censor, torça pela volta de um regime de arbítrio onde as liberdades são suprimidas. Quanto à testemunha, segundo o TSE, é indigna de fé, pois alterou seu depoimento seis vezes ao longo do processo”, afirma o ex-governador. “Estranho também o fato de o promotor fazer novamente o pedido ao juiz que acaba de assumir a ação no lugar de Ralph Manhães, que saiu de férias”.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO FERNANDO FERNANDES, QUE DEFENDE ANTHONY GAROTINHO

O advogado Fernando Fernandes, defensor de Anthony Garotinho, afirma que o promotor Leandro Manhães ‘está desafiando o TSE’. Fernandes ingressou com exceção do juiz substituto. Segundo ele, ‘as razões constantes no pedido (de prisão) são uma afronta à decisão do Tribunal Superior Eleitoral que deu liberdade de manifestação ao ex-governador Anthony Garotinho’.

“Caso qualquer autoridade local se sinta ofendida com as denúncias do ex-governador os mesmos têm o direito de representar contra Garotinho e até mesmo processá-lo. Contudo, a Justiça eleitoral não é competente para proteger a honra de delegado da Polícia Federal”, assinala o defensor.

“A testemunha do processo, a radialista Elizabeth Gonçalves, conhecida como ‘Beth Megafone’, que se diz ameaçada em depoimento à Policia Federal do dia 31 de maio já foi ouvida pela Justiça no processo de Garotinho. Portanto é descabida a declaração de suposta ameaça. É importante destacar que o juiz Glaucenir de Oliveira está evidentemente impedido, pois responde por denunciação caluniosa uma vez que disse ter sido subornado pelo ex-governador.”

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.