Por que a agenda ESG é tão importante para o Brasil?

Por que a agenda ESG é tão importante para o Brasil?

Lucas Ferreira*

05 de dezembro de 2020 | 04h30

Lucas Ferreira. FOTO: DIVULGAÇÃO

A agenda “ESG” é, atualmente, um dos assuntos mais importantes do setor corporativo e que está revolucionando o mundo dos investimentos. Sigla para Enviromental, Social and Governance, o termo compreende um conjunto de ações que empresas devem tomar sobre meio ambiente, sociedade e governança corporativa para serem consideradas responsáveis e preocupadas com as questões sócio-sustentáveis que permeiam a atualidade.

No Brasil, o conceito é relativamente novo e o movimento para trazer essa economia social e sustentável está vindo em ondas, mas várias corporações têm se tornado menos interessantes para investimento estrangeiro por não atenderem pautas vinculadas ao ESG. Além disso, essas empresas estão começando a se reestruturarem não porque querem, mas porque estão perdendo fundo de investimentos. A tendência é que o mercado financeiro no Brasil se modifique para atender a pauta do ESG, já que no momento a bolsa de valores está revendo os seus indicadores a fim de identificar e valorizar as organizações que estejam seguindo a agenda sustentável.

Em paralelo, as pequenas e médias empresas brasileiras já atendem as pautas do ESG, porém não têm visibilidade por não causarem tanto impacto quantos grandes empresas e indústrias. Ainda assim, elas fazem uma grande diferença no país, gerando renda de 70% dos brasileiros, dentre as iniciativas privadas, de acordo com o Sebrae. A relação mais próxima das PMEs com a sociedade ajuda a evidenciar o quanto elas já seguem essa agenda, muito mais do que é exigido de grandes negócios. O impacto que a agricultura familiar tem dentro do Brasil, por exemplo, acaba sendo maior que de grandes produtores.

Porém, as PMes têm desafios diferentes: criar um empreendimento do zero, tornar ele um negócio de impacto e ser sustentável financeiramente. Já as grandes corporações precisam sair da inércia e mover toda a organização, que é burocrática e complexa, para trabalhar pautas que nunca foram discutidas em séculos. Muitas vezes são os próprios funcionários que formam grupos internos a fim de debaterem questões sociais e ambientais e posteriormente apresentam para os tomadores de decisões.

Além da pressão dos fundos de investimento, a nova geração de consumidores, em especial os millenials, ligados à responsabilidade e ao impacto social, estão obrigando os mercados a firmarem um compromisso e buscarem soluções para um modelo financeiro e produtos mais sustentáveis. Uma pesquisa realizada pela Schroders em 2018 aponta que 52% das pessoas entre 18 e 34 anos apostam em fundos sustentáveis, deixando de lado aqueles que não consideram fatores relacionados a ESG.

O ESG deve ser entendido como um processo, e não como algo binário (sim ou não) ou excludente. Nenhuma empresa no mundo está preparada para atender totalmente essa pauta. A instituição primeiro identifica os níveis que ela já atende dessas práticas e a partir daí vai desenvolvendo. Contudo, mesmo não sendo obrigatório, as corporações que não aderirem ao movimento vão sofrer as consequências no futuro.

Apesar do impacto negativo gerado no início da pandemia de COVID-19, os interesses dos investidores por modelos de negócios sustentáveis e resilientes têm aumentado e seguido os padrões de sustentabilidade e governança. O Brasil só está seguindo nessa onda porque o mercado acabou o empurrando e impulsionando para que também atenda às novas demandas. Então, no cenário da pós-pandemia, caso elas não sejam cumpridas, existe o risco dos níveis de investimento permanecerem baixos.

*Lucas Ferreira, agente de inovação da Troposlab

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