Por ‘prudência’ e ‘segurança’, Moro mantém Léo Pinheiro na prisão da PF

Por ‘prudência’ e ‘segurança’, Moro mantém Léo Pinheiro na prisão da PF

Juiz da Lava Jato acolhe pedido da defesa e alerta para o 'potencial' das informações que empreiteiro poderá revelar em eventual acordo de delação premiada

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Mateus Coutinho

20 de outubro de 2016 | 11h28

Léo Pinheiro. Foto: Werther Santana/Estadão

Léo Pinheiro. Foto: Werther Santana/Estadão

O juiz federal Sérgio Moro decidiu manter o empreiteiro José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, da OAS, na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, base da Operação Lava Jato.

Moro acolheu pedido dos advogados de Léo Pinheiro e alertou para o ‘potencial’ e para a ‘extensão’ das informações que ele poderá revelar em um eventual acordo de colaboração premiada.

O empreiteiro está preso na PF desde setembro. Na carceragem federal estão outros réus da Lava Jato, como o empreiteiro Marcelo Bahia Odebrecht, o doleiro Alberto Youssef e o ex-ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda e Casa Civil/Governos Lula e Dilma).

Condenado a 16 anos e quatro meses de reclusão por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa no esquema de propinas instalado na Petrobrás, Léo Pinheiro é réu em outra ação penal, ao lado do ex-senador Gim Argello (PTB/DF), por pagamentos ilícitos para brecar CPIs que investigavam falcatruas na estatal petrolífera.

A decisão de Moro contraria pedidos da PF e da força-tarefa do Ministério Público Federal que se manifestaram pela transferência do empreiteiro para o Complexo Médico Penal de Pinhais, nos arredores de Curitiba, onde está a maioria dos réus da Lava Jato.

A defesa do executivo, a cargo do criminalista José Luís Oliveira Lima, argumentou que Léo Pinheiro e a OAS ‘possuem intenção de colaborar com as investigações’.

A defesa destacou que ‘o acusado prestará novos depoimentos, bem como apresentará novas provas’ e que, por isso, ‘seria recomendável a sua manutenção na carceragem da Superintendência Regional da PF no Paraná, inclusive para acautelar eventual risco a sua integridade física’.

A Procuradoria da República refutou as alegações da defesa e sustentou que ‘não existe acordo de colaboração celebrado, tampouco negociações em curso’. Ainda segundo os procuradores da força-tarefa ‘há colaboradores no Complexo Médico Penal e não foram noticiados supostos riscos à integridade destes acusados’.

Moro adotou o argumento da ‘prudência’ para manter o empresário na prisão da PF. “Em que pesem os requerimentos da autoridade policial e a posição do Ministério Público, as divulgações, fundadas ou não, da possibilidade de José Adelmário Pinheiro Filho vir a celebrar acordo de colaboração premiada, aliada ao potencial e à extensão das informações que reuniria, recomenda prudência e, por conseguinte,
a manutenção dele, no presente momento e para segurança dele, na carceragem da Polícia Federal.”

O juiz da Lava Jato determinou que o ‘problema de espaço (na Custódia da PF) terá que ser resolvido com a transferência de outros presos’.

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