Por ‘munição de guerra’, juiz decreta preventiva de terceiro preso pelo assalto de 720 kg de ouro no aeroporto

Por ‘munição de guerra’, juiz decreta preventiva de terceiro preso pelo assalto de 720 kg de ouro no aeroporto

Célio Dias foi preso em flagrante no estacionamento onde a quadrilha retirou o ouro de um veículo e transferiu para outro; no local, havia um fuzil

Luiz Vassallo e Fausto Macedo

29 de julho de 2019 | 20h17

Reprodução da decisão do juiz Fábio Pando

O juiz criminal Fábio Pando de Matos decretou a prisão preventiva do terceiro detido por envolvimento com o roubo de 720 kg de ouro no Aeroporto de Guarulhos. Célio Dias foi preso por portar munição de um fuzil.

Documento

“Destaco que o fato é grave, gravíssimo, posto se tratar de apreensão de munição de poderosíssima arma de fogo, de grosso calibre, utilizada em guerras, mas que infelizmente em nosso país é utilizada em delitos comuns, além de dois gorros de cor preta, próximo ao local em que o indiciado se encontrava, dentro do estacionamento em que labora”, anotou o magistrado.

Segundo o juiz, ‘há prova da materialidade e sérios indícios de autoria do crime de posse de munição de arma de fogo, munição essa que teria sido utilizada em crime de roubo noticiado nos quatro cantos do Brasil (roubo de ouro praticado no setor de cargas do Aeroporto de Guarulhos), que verdadeiramente assola e intranqüiliza a sociedade, além de constituir os fatos indicativos da periculosidade de seus autores’.

Reprodução de Boletim de Ocorrência

“Necessário ressaltar que a guarda de munição é comumente praticada já de prévio acordo com o roubador, formando uma verdadeira rede de criminalidade”, anotou.

A prisão de Célio se deu neste domingo, 28, em flagrante. Os policiais suspeitavam de que o estacionamento utilizado pela quadrilha para fazer a troca de carros após o assalto seria palco de uma nova reunião entre os criminosos.

De acordo com o relato, os ‘policiais civis se dirigiram ao local onde permaneceram de campana observando a movimentação de pessoas e veículos notado apenas a movimentação rotineira de um estacionamento de carros e a presença de dois funcionários’.

“Depois de observarem bem o local, optaram por adentrar ao estacionamento para uma melhor averiguação das informações e, neste local estavam as pessoas de Fábio Luiz Teixeira e Célio Dias, ambos funcionários do estabelecimento comercial”, narram os policiais.

Segundo a Polícia, ‘efetuada uma vistoria do local, os policiais localizaram no interior do estacionamento, mais precisamente embaixo de um ônibus, um carregador de fuzil municiado com 31 munições calibre 7,62 além de uma sacola plástica contendo cinco luvas avulsas e dois gorros de cor preta’.

“Diante da localização de tais objetos, os funcionários do local foram questionados separadamente e Fábio afirmou que no dia em que se deu o roubo das barras de ouro Célio havia pedido para liberar o acesso de algumas pessoas bem como de uma ambulância no estacionamento, o que ocorreu logo após a entrada de dois veículos envolvidos no roubo das barras de ouro”, diz o Boletim de Ocorrência.

De acordo com a Polícia, ‘questionado sobre os fatos, Célio afirmou a princípio que fora a pessoa de Fábio que
havia lhe pedido para liberar a entrada de algumas pessoas no local bem como da ambulância, porém, durante os questionamentos começou a ficar nervoso com as perguntas e passou a responder de forma duvidosa, tentando ocultar os fatos e encobrir as pessoas que haviam estado com ele naquele local, dando fortes indícios de que havia participado da ação criminosa’.

“Que foi Célio que abriu o portão do estacionamento para os roubadores adentrarem o local onde ocorreu o transbordo da mercadoria subtraída para uma ambulância, deixando para trás os veículos Hilux e Frontier, além de um caminhão modelo 608 da quadrilha que foram apreendidos pela Delegacia de Roubo à Bancos”, afirmam os policiais.

Celio, segundo a Polícia, ‘trocou o seu numero de telefone depois do crime, inclusive não fazendo uso de seu smartphone no qual possuia o aplicativo de mensagens Whatsapp’.

A Polícia diz que ‘Celio foi evasivo limitando-se a tentar transferir responsabilidade para Fabio, confirmando que este encontrava-se no interior de sua casa quando do transbordo da carga no local, entretanto orientado por seu advogado não respondeu nada e usou de seu direito de permanecer em silêncio’.

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